Começo o texto pelo insulto…

por Miguel Fernandes | 2015.02.02 - 21:47

… Como sabe o insulto é mais fácil e eu sou preguiçoso. Portanto, aqui vai. A leitora é uma empertigada, já o leitor é no mínimo um mentiroso.

Caro leitor, seu filho de um grande Charlie, agora que despertei a sua atenção e provavelmente o seu processo judicial, vou explicar.

A história é relativamente simples. Vamos passo a passo.

Os vereadores do PS desempenharam, de forma positiva, o seu trabalho e questionaram a actuação da Habisolvis no Bairro Municipal. Tudo muito bem.

Almeida Henriques alegou que tal caso era um “não caso” (1). O PS, então, apresentou documentos em que fazia prova que o “não caso” afinal era caso. Parece confuso, mas não é.

É então que é usada a frase da discórdia: “Os vereadores do Partido Socialista vêm repudiar a mentira com que o Sr. Presidente de Câmara de Viseu (…)”.

Neste momento o Presidente vem alertar: “(…) acusar (o próprio) de mentiroso, ou de desonesto, ou de menos transparente vão (a oposição) ter de explicar isto ao Ministério Público(…)” (2).

Vou saltar as questões de semântica e português, que nada acrescentam.

O facto de termos um presidente a levar uma declaração política para o campo judicial, por se sentir ofendido, pouco tempo depois de se ter referido a uma Secretária de Estado da forma como Maomé não fala do toucinho (3) não deixa de ter a sua dose de ironia, mas também surge como irrelevante para o ponto que procuro.

O guião desta prosa é mais simples.

Assumindo que estavam presentes diversos meios de comunicação social e tendo todos eles acesso aos documentos que a vereação do PS disponibilizou.

Porque é que ninguém fez as perguntas que se impunham?

Tais como:

– “Perante a informação que temos, as declarações do Sr. Presidente, foram fruto de desconhecimento ou falha do gabinete de comunicação?”

– “Foi mal informado por parte da Habisolvis?”

– “Foi, pura e simplesmente, um lapso?”

– “Foi vítima de uma verdade com geometria variável?”

Com estas questões ganhavam os jornalistas, ao cumprir melhor o seu dever; ganhava a oposição, ao ver as suas dúvidas dissipadas; ganhava o Dr. Almeida Henriques, ao esclarecer a questão definitivamente; ganhavam os eleitores, em esclarecimento.

É que, a exemplo da “Confraria Infanto Juvenil”, ainda ninguém percebeu o que realmente aconteceu. E qualquer dúvida, mesmo que minúscula, é sempre demasiado para pender sobre a cabeça de um Presidente da Câmara.

Ps: Porque é que a comunicação social não deu o devido destaque a esta questão?

 

1) http://portocanal.sapo.pt/noticia/49765/

2) https://www.youtube.com/watch?v=dxnH8RThhuY

3) http://www.noticiasaominuto.com/politica/326337/autarca-chama-secretaria-de-estado-de-empertigada

Área de anexos

Visualizar o vídeo Presidente da Câmara de Viseu ameaça vereadores do PS com tribunal do YouTube

https://www.youtube.com/watch?x-yt-cl=85114404&x-ytts=1422579428&feature=player_embedded&v=dxnH8RThhuY

 

 

 

 

Miguel Fernandes, nascido em Viseu nos anos 80, durante a adolescência foi consumidor hiper-activo de televisão, música pop e lustrosos clássicos herdados do seu avô paterno. Tornou-se forasteiro, no seu próprio país, primeiro dedicou-se à Ciência Política depois à Gestão, quando finalmente percebeu que "Greed is not Good" regressou à planície beirã.

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