Come-se bem nas escolas do 1ºCEB de Viseu?

por Carlos Cunha | 2016.11.07 - 12:27

 

Em três anos que leva de mandato, Almeida Henriques, pelo menos que se tenha conhecimento público, viu-se confrontado por duas vezes com reclamações sobre a qualidade das refeições servidas em algumas das escolas do 1ºCEB.

Lá diz o aforismo popular que “não há fumo sem fogo” e de facto estas reclamações dos encarregados de educação sobre a qualidade da comida servida não deixam ninguém indiferente. Pelo que consta na imprensa escrita local a autarquia viseense até convidou os pais a sentarem-se à mesa com os seus filhos para degustarem o repasto servido.

Já levo alguns anos de ensino, passei por várias escolas de diferentes níveis de ensino. Numas gostava da comida servida nas cantinas noutras nem por isso. Nas conversas com colegas de profissão, há quem me confidencie que a comida, quando confecionada pelas próprias escolas, como é o caso de algumas EB2/3 e Escolas Secundárias é mais saborosa, variada e tem melhor qualidade do que aquela que é servida por empresas contratadas para o efeito.

Quando se toma a opção de concessionar as refeições escolares a uma empresa devidamente habilitada, espera-se que esta cumpra o estabelecido no caderno de encargos. No entanto, também sabemos que uma empresa para ser sustentável tem de apresentar lucros, caso contrário arrisca-se a fechar portas.

Do lado da autarquia há a preocupação em contratar o melhor serviço ao mais baixo custo. Porém, as evidências e as reclamações dão-nos conta de que é necessário ter em consideração outros requisitos quando se contrata uma prestação de serviços alimentares.

A autarquia viseense tem o dever de supervisionar e de avaliar a qualidade do serviço prestado, para esse efeito, contratou, há cerca de um ano, uma empresa para fazer um check up à comida servida nas escolas.

Ainda que a comida servida não apresente problemas de conservação, temos toda a legitimidade em questionar se as nossas crianças estarão a ter uma alimentação variada e equilibrada que tenha em consideração os padrões da dieta mediterrânica. Não tenhamos ilusões, pois, quando o custo de uma refeição ronda em média 1,5€, e estou a arredondar em excesso, não podemos colocar as expetativas demasiado elevadas sobretudo se pensarmos que o quilo da dourada ou do robalo de aquicultura ronda aproximadamente os 5,50€ em promoção. Por aqui se depreende que será uma miragem estes peixes aparecerem no prato das crianças quando comem nas nossas escolas.

Por outro lado, não podemos escamotear que há crianças “biqueiras” para comer, ou seja, só comem aquilo que lhes cheira e quem tem crianças pequenas sabe que aquilo que lhes cheira nem sempre é o mais recomendável para a saúde. Mas não me choca que nas ementas escolares lá apareçam as salsichas ou os hambúrgueres, desde que seja apenas pontualmente.

À Câmara compete estar mais atenta ao que contrata, talvez, por isso, Almeida Henriques e o seu comité, antes de convidarem os pais para almoçarem na escola, devessem ser os primeiros a degustar a comida para perceberem se esta tem qualidade, bom paladar, é variada e em quantidade suficiente para poder ser servida nos refeitórios escolares.

Já as empresas que pretendem continuar a prestar serviços de refeições escolares, devem apostar mais na inovação e convidar alguns chefes para darem formação aos seus colaboradores, para que estes possam aprender a confecionar pratos equilibrados que agradem ao paladar dos petizes.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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