Com um caneco!

por Eme João | 2016.07.12 - 12:05

Andávamos nós às voltas com o Brexit, com as sanções, com a cimeira da NATO e completamente distraídos com aquilo que realmente importa. O Europeu de futebol.

E de empate em empate, lá fomos nós eliminando uns e outros, até chegarmos à final. O mundo parou entre a jogo com o País de Gales, que ganhámos e o jogo que iríamos ter de ganhar à França para finalmente sermos campeões europeus.

Chegou então o 10 de Julho, e após 109 minutos de jogo o golo que nos traria o “caneco”. E mesmo sem golos também as e os atletas portuguesas, subiram aos primeiros lugares do pódio. Também eram campeões.

Como diria o homem que não gosta dos transmontanos, o povo saiu à rua com bandeiras hasteadas, caras pintadas, cachecóis ao pescoço, tudo como manda a lei. Nem uma Torre Eiffel de lâmpada fundida parava o nobre povo, a nação valente. Afinal, o que era essa torre, comparada com todos os semáforos do mundo que de forma alternada se vestem com a nossa bandeira.

E depois de ultrapassada a normalidade, no dia 11, lá para o fim do dia nos noticiários lá voltamos nós à loucura. Se pensavam que loucura era um povo inteiro aos saltos a gritar golo e coisas parecidas, enganam-se. A verdadeira loucura não é isto.

Falemos então de coisas muito menos sérias como por exemplo sanções. Ou as alucinantes sanções zero. Aquelas que serão aplicadas pelo deficit excessivo de 2013 a 2015. Aqueles maravilhosos anos em que intervencionados, com praticamente uma soberania reduzida a zero, eramos (des)governados pelos que com tanto orgulho consideravam Portugal “um bom aluno”. Os da saída limpa. Os que se gabaram de terem ido para além do que o FMI pedia.

Quando a UE se apercebeu que se sancionava a ela própria, transporta a sua alucinada raiva para o futuro. Sancionando este. Assim, ficava mais “artístico”. Ficava a chantagem mais bonitinha com essa pintura. Mas, todos sabemos que a história das sanções não tem nada a ver com “trocos”. As sanções são sim uma artimanha para tentar parar a “nossa geringonça”, que boa ou má, é nossa. Eleita democraticamente. E os tipos que querem e vão conseguindo mandar nisto tudo, até um dia, só gostam dessas coisas de democracia e eleições, quando lhes convém.

Por fim, e em jeito de cereja no topo do bolo, apareceu aquilo da “sanção zero”. E de chantagem em chantagem, de ameaça em ameaça, com um caneco ou sem ele, com empates, empatas, traças, mosquitos e afins, lá iremos nós até à vitória final.

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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