CISNES NEGROS – PARABÉNS CAMPEÕES

por José Carreira | 2016.07.11 - 12:01

 

 

Com o apito final do jogo que sagrou a seleção portuguesa, pela primeira vez, Campeã da Europa, a primeira imagem que me ocorreu foi a do Cisne Negro.

Nassim Nicholas Taleb escreveu um livro que descreve um estudo de como somos ultrapassados pelo inesperado – “O Cisne Negro: O Impacto do Altamente Improvável” – onde se refere ao “Cisne Negro” como um acontecimento altamente improvável que reúne três atributos principais: atípico; reveste-se de enorme impacto e a natureza humana faz com que construamos explicações para a sua ocorrência depois de o facto ter lugar, tornando-o compreensível e previsível.

Fernando Santos imaginou, desenhou e acreditou no que muitos consideraram impossível, ganhar à poderosa seleção francesa, em França, no Stade de France, em Paris e regressar à pátria no dia 11 de Junho.

De treinador castigado a vitorioso, o “Engenheiro” soube formar uma equipa equilibrada e muito difícil de levar de vencida. Os três empates na fase de grupos resultaram de uma premissa prioritária, defender bem, não sofrer golos e depois partir para o ataque e tentar fazer golos. O jogo com a Croácia foi o hino a esta filosofia de jogo que resultou da muita experiência do selecionador que teve o mérito de fazer das nossas fraquezas as nossas principais armas. Com Fernando Santos, em catorze jogos, nenhuma equipa nos conseguiu levar de vencidos. Notável!

Hoje, a perda de Ronaldo, do nosso super craque, foi um duro golpe, mas não desuniu a equipa que encontrou forças e soluções talvez impensáveis para muitos de nós.

De “Patinhos Feios” os jogadores da seleção portuguesa passaram a “Cisnes Negros”. Éder é o expoente máximo, um “Patinho Feio” que se metamorfoseou e deu origem ao “Cisne Negro” idolatrado como um autêntico herói:

ÉDER- um jogador bastante criticado, muitos consideraram que não tinha lugar nos 23 eleitos. Marcou o golo decisivo, que grande golo, num torneio em que poucos minutos tinha estado em campo.

Poucos pensaram que poderia entrar no jogo, entrou, jogou e fez jogar, marcou e transformou as lágrimas de dor e tristeza do grande capitão, Cristiano Rolando, numa felicidade que alastrou a toda à equipa, aos adeptos no estádio, ao emigrantes em França e no mundo e aos portugueses que num pequeno país começaram a acreditar que poderia ser feita história no futebol português.

O futebol apresentado no torneio nem sempre foi bonito, mas revelou-se, de jogo para jogo, altamente eficaz e patenteou um coletivo fortíssimo que se uniu à classe do melhor do mundo.

Este, o melhor jogador do mundo, sim, o nosso capitão, o CR7, não se desligou da equipa, da sua equipa, mesmo quando Payet o colocou fora do jogo, apoiou os seus companheiros.

PORTUGAL – ninguém apostaria na vitória de um país periférico, pequeno, com uma liga profissional de futebol pouco competitiva. Os empates iniciais fizeram descrer os adeptos e choveram críticas avassaladoras ao ponto de aplicarem ao futebol da equipa de Fernando Santos o epíteto “nojento”…

Os nossos jogadores são verdadeiros embaixadores da força de um povo que deu novos mundos ao mundo, mesmo que, para isso, tenham que derramar lágrimas de sal…

Foi escrita uma página ímpar e bonita do futebol português.

Bem hajam!