Cirurgia pediátrica: uma vitória de Pirro?

por Carlos Cunha | 2016.07.20 - 11:42

 

 

Soubemos esta semana através da imprensa local que a cirurgia pediátrica se iria manter no Centro Hospitalar Tondela /Viseu. A garantia foi dada pelo Ministro da Saúde, o socialista, Adalberto Campos Ferreira, ao edil viseense, Almeida Henriques, numa reunião havida em Lisboa e na qual esteve presente o Presidente da Assembleia Municipal de Viseu.

Dos quase três anos que levo na Assembleia Municipal posso afirmar que em matérias ditas estruturantes para o concelho relacionadas com a saúde, educação, cultura, rodovia e ferrovia, tem havido uma certa coesão entre as diferentes forças partidárias sobretudo quando há necessidade de defender o território e os serviços instalados ou a implantar, assinalando uma posição reivindicativa, quase sempre unívoca, do concelho face ao poder central.

Dada a palavra, aguardaremos agora que o Ministro da Saúde cumpra o compromisso assumido. No entanto, a Moção aprovada, por unanimidade, pela Assembleia Municipal de Viseu, a 29 de junho último, relembrava ainda que era necessário reforçar os meios humanos no âmbito da cirurgia pediátrica, através da contratação de mais um cirurgião pediátrico, matéria sobre a qual os responsáveis políticos nada tugiram, optando antes por um perturbador silêncio.

Calculo que conciliar a agenda de ministros e de autarcas seja tarefa árdua, por isso, no mesmo dia foi tratado um outro assunto que há muito preocupa os viseenses. Foi assim que ficámos também a saber que não se vislumbra a luz ao fundo do túnel em relação à instalação da tão reclamada Unidade de Radioterapia, que esteve quase a ser implantada numa unidade de saúde particular, ideia que parece agora arredada sem, no entanto, haver uma cabal explicação para tal. Não deixa de ser curioso que a unidade de saúde visada e recém-implantada em Viseu nada tenha dito sobre este assunto de elevada pertinência. Este é um processo que se arrasta ad eternum pelos gabinetes ministeriais da capital e que nem as moções, petições, decisões técnicas e afins conseguem ser suficientes para demover o poder central da sua inércia.

Explanados os factos, podemos dizer que apenas foi alcançada uma curtíssima vitória de Pirro.

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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