CH Tondela /Viseu: Segunda oportunidade para ser Centro de Referência

por Carlos Cunha | 2016.08.25 - 10:05

 

 

Foi com uma dupla sensação de agrado e de preocupação que tomámos conhecimento do comunicado emitido pela Liga de Amigos e Voluntariado do Centro Hospitalar Tondela /Viseu (CHTV) referente à possibilidade das candidaturas a Centros de Referência passarem a ser anuais ao invés dos cinco anos que as entidades de saúde interessadas teriam de aguardar para procederem a nova candidatura. Saúda-se, portanto, a presente revisão legislativa efetuada pelo governo socialista através da publicação da Portaria n.°195/2016, de 19/07 sem a qual as candidaturas a Centros de Referência só reabririam em 2019.

Por força desta mudança na lei, a Direção do CHTV poderá, no próximo mês de janeiro, apresentar nova candidatura a Centro de Referência, uma vez que a anterior foi rejeitada por intempestividade, não obstante, os recursos apresentados e o lobbying efetuado por entidades políticas e associativas junto das mais altas instâncias governativas que tutelam a área da saúde, que todavia foram infrutíferas para alterar o veredicto inicial que foi o da rejeição. Está bom de ver que esta alteração legislativa se constitui como uma segunda oportunidade crucial e talvez derradeira para o CHTV ver finalmente reconhecida a qualidade do serviço que presta nas áreas dos cancros do cólon e hepatio-bílio-pancreático, a qual aportará valor acrescentado e elevará o CHTV para uma outra dimensão de maior responsabilidade e exigência ao nível dos cuidados de saúde.

No entanto, a nossa preocupação reside no facto de a atual Direção cessar funções no final do próximo mês de novembro. Já sabemos que os processos de mudança se revestem de alguma morosidade e de complexidades burocráticas difíceis de tornear. Assim sendo, ainda que cumpridos em ritmo acelerado todos os procedimentos inerentes à seleção, nomeação ou concurso até à tomada de posse, a novel Direção terá muito pouco tempo para apresentar a candidatura. Deste modo, analisando os factos com algum bom senso e ponderação parece-me que seria mais prudente manter a atual Direção em funções até que o processo de candidatura estivesse concluído. Ermida Rebelo e a sua equipa teriam assim a oportunidade de corrigir o erro crasso cometido, melhorando a sua folha de serviços.

Por outro lado, partindo do pressuposto que a vindoura Direção seja de clara tendência socialista também é aceitável que a mesma não pretenda começar o seu mandato com um processo tão delicado, herdando-o numa fase adiantada de decisões, tendo de trabalhar sob pressão imposta pelos normativos legais com os médicos responsáveis na revisão e apresentação do processo de candidatura. Estou certo de que os sucessores de Ermida Rebelo não gostarão de ser responsabilizados em caso de fracasso e serão céleres a dividir culpas com a Direção cessante, estando claro que se tal acontecer todos os utentes do CHTV é que sairão uma vez mais a perder.

Para além disso, haverá outras questões importantes para resolver como é o caso da aplicação da lei das 35 horas, que tem causado um crescente desconforto entre os enfermeiros, com manifestações de desagrado à porta do Hospital, por se sentirem injustiçados perante as expectativas criadas pelo governo da geringonça, que, por força das restrições orçamentais, desvalorizadas inicialmente pelos atuais governantes, acabou por os levar a fazer tábua rasa das promessas efetuadas.

A Liga de Amigos levanta ainda, no seu comunicado de 04/08, outras questões que carecem de explicação como: quais os equipamentos que estão em rutura e que necessitam de ser substituídos e quais os prejuízos que daí advêm na prestação de cuidados de saúde às populações?

Como se vê, a história da candidatura do CH Tondela /Viseu ainda está longe do seu desfecho…

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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