Celebrar ou não celebrar o fim da TROIKA!

por João Salgueiro | 2014.05.18 - 22:18

Há dias, quando assistia na TV ao diário da campanha para o Parlamento Europeu, ouvi o cabeça de lista dos partidos do governo perguntar: “porque não celebra a oposição?”. Fiquei curioso. Mas celebrar o quê? Será que alguém do governo fez algum feito notável e eu não reparei? Será que a crise em Portugal foi finalmente debelada e estamos realmente na retoma?

A resposta veio logo de seguida: “a TROIKA deixou-nos, voltámos a recuperar a nossa soberania”!

Que lata, Sr. Dr. Paulo Rangel, então eles deixaram-nos e afinal virão, como antes, fiscalizar o governo? Os técnicos da TROIKA vêm fiscalizar aqueles que sustentam a sua legitimidade no poder eletivo do Povo, e recuperámos a soberania? Deixe-se disso, não temos nada para celebrar. Até já o Professor Cavaco decretou que a TROIKA ficará entre nós até 2025!

Talvez alguns tenham algo a celebrar, a começar pelo Dr. Portas, exibe-se por aí como um malabarista. Já manuseou os agricultores e os feirantes e agora também quer fazer o mesmo com outros na esfera social. Tudo vale para se manter na ribalta política: escolhe o posto que quer no governo, supervisiona a ministra das finanças, sem que se lhe reconheça qualquer formação nessa área; não tarda e aparecerá num desses cargos internacionais ou nacionais dourados, seguindo as pisadas do Professor Gaspar. Tem razões para colocar o relógio em contagem decrescente!

Mas também os Camilos da Praça ou os jornalistas, especialistas da economia, que tudo julgam saber e que, mesmo antes da tomada de medidas mais severas do governo, já se estão a chegar à frente para dizer que já tinham sabido dessa necessidade há anos e que o governo ainda deveria ir mais longe (tipo José Gomes Ferreira). Estranha-se que ainda não tenha arranjado um lugar ao sol!

Têm razão os jovens acabadinhos de sair dos bancos da Universidade que são colocados como consultores especialistas do governo, a auferir retribuições de 5.000 euros por mês, enquanto outros colegas seus nas mesmas condições – ou até com melhor preparação—engrossam as fileiras do desemprego, saltam de curso em curso, são explorados por “empreendedores” sem escrúpulos ou optam mesmo por deixar o país.

Mas têm, sobretudo, razão os Catrogas do terreiro que veem acrescer às reformas douradas o salário extraterreno de 40 mil euros vindos, da chinesa EDP. Parabéns Senhor Dr. Catroga, a sua Selfie (numa antecipação à de Obama com a Ministra Dinamarquesa!) tirada nas reuniões, à Porta Fechada, com o então Ministro das Finanças do PS, valeu a pena!

O Estado, então cheio de “gorduras”, continua a ser esfolado por alguns, até pelos ricos deste “jardim à beira mar plantado” que estão a ficar ainda mais ricos, enquanto aos trabalhadores lhes dizem que o bom é ser pobre e emagrecer! São sobrecarregados de impostos, veem os salários e as progressões congelados há vários anos e ainda lhes acenam com as “vantagens” da redução dos salários, do aumento das horas de trabalho e, em geral, com a perda de direitos conquistados a pulso. E se forem da Função Pública, tanto melhor, trabalhadores no ativo ou reformados é carregar-lhes que eles são uma “cambada de indigentes”! O privado é que é!…

Não caro Dr. Rangel, não me deu razões para festejar!

Razões para festejar conto tê-las no próximo domingo, com o princípio do fim do vosso consulado. E festejarei com vinho cá da Terra, do Dão, e não com cerveja como fizeram os da restauração ou com champanhe, como fez o seu companheiro de rota, o, agora, já com uma aparência mais grisalha, o “eterno jovem”, Nuno Melo.