“Casar e feirar é para eternizar”, segundo S. Sobrado

por PN | 2018.12.30 - 11:45

 

 

O Mago Merlin da Praça da República, globalmente conhecido por não dormir de noite a congeminar as ideias servidas de bandeja, ao cardápio do pequeno-almoço, ao seu desiluminado chefe, o tal que já tinha reviravolteado substantivos que, no seu AO privado, de uma chapelada transformara em verbos, teve agora expansões e arroubos líricos, do tipo “fui à praia achei um búzio, cheguei a casa em cima da cómoda púzio” e conseguiu, num ramalhete rubro de papoulas, quase cesariano e como se de uma merenda campestre se tratasse (lembram-se?)

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

… rematar em feliz epílogo, a sua ideia para 2019, originalíssima, nunca antes vista nem de lado algum plagiada, sequer do contexto santoantonino (o casamenteiro) e dar ao S. Mateus que vivia em Cafarnaum, na Palestina, e era um riquíssimo colector de impostos (bom patrono desta autarquia), o estatuto e co-acção do padroeiro de Lisboa, seu irmão em santidade.

Feira virou feirar– sim, o verbo dá-lhe movimento, rima com “casar” e… claro, na ideia do Mago Merlin, que ele próprio consubstancia e muito a peito sentido leva, casar é para “eternizar”.

Já no evangelho segundo S. Mateus, que deve ser livro de cabeceira da Viseu Marca, assim consta:

 “O homem deixará pai e mãe para se unir à sua esposa e serão os dois uma só carne.  Portanto, não separe o homem o que Deus uniu”.

Então, com um pouco de imaginação, o noivo pergunta à noiva se o quer receber por seu esposo, se promete ser-lhe fiel, amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de suas vidas… etc. e tal … depois do “sim” entram tunas e coros, segue-se a festa que há-de ser rija e de arromba, pois nisso os “padrinhos” têm o amplo conhecimento e a larga experiência de todo o ano e, com o trajo nupcial, fotógrafo, boda e viagem de lua-de-mel pagos, CM, JC e DV a cobrir avidamente o evento, tudo num virote subsidiado pela autarquia e pelos patrocinadores do evento que receberão em troca outro qualquer patrocínio da autarquia, os Noivos de Santo António, perdão, de S. Mateus, eternizados no juramento, vão a correr feirar “todos os dias de suas vidas”.

A dúvida só reside em quem serão os padrinhos do matrimónio: Sobrado e Almeida Henriques? Ou estes irão de “damos de honor”, um a segurar a cauda do vestido, outro com a bandeja das alianças?