Carta Aberta

por Miguel Fernandes | 2014.04.29 - 13:08

Exmo. Presidente da C.M.V, Sr.ª Vereadora da Cultura e Turismo, Sr. Presidente da A.M.

Escrevo esta curta missiva na firme convicção que vou a tempo de apelar não só ao vosso bom gosto como também ao vosso amor por esta cidade.

Deste modo, não tomando mais do vosso precioso tempo, espero que rapidamente enviem uma equipa de demolições à rotunda, da estrada de Nelas, mais próxima do Palácio do Gelo.

Não sei se estão a par, e sinceramente acredito que desconheçam a ocorrência, pois o distinto bom gosto de V.Exas não permitiria tal aberração, como tal permitam-me a ousadia de vos relatar os acontecimentos. Por estes dias, na referida rotunda, foi levantada uma obra, mais concretamente uma escultura, que sofre de tão mau gosto que nem a podemos enquadrar na vulgata Kitsch, que pelos dias de hoje domina a cultura ocidental. Esta é uma obra que não provoca outra reacção que não desprezo.

Em resumo, estamos perante uma obra digna de uma Joana Vasconcelos com uns toques de Taveira e Lady Gaga sem, no entanto, estar coberta por renda, problemas freudianos ou um qualquer atraso mental. Uma obra representativa de uma época que já foi apelidada por “Dias do Lixo”.

A nossa cidade que se quer, e deve, candidatar a património mundial não merece tamanho assassínio ao gosto.

Deste modo, apoio de forma inequívoca qualquer reforço orçamental extraordinário, já para o próximo dia 04, que inclua uma terraplanagem da referida peça. Atendendo a que estamos em época de contenção orçamental não me oporei caso optem pela aquisição, por ajuste directo, de algum dinamite, antecipando assim o espectáculo pirotécnico de fim de ano.

Tanto eu como a cidade ficaremos eternamente agradecidos.

Sem mais assunto e com os melhores cumprimentos,

 

Miguel Fernandes

Miguel Fernandes, nascido em Viseu nos anos 80, durante a adolescência foi consumidor hiper-activo de televisão, música pop e lustrosos clássicos herdados do seu avô paterno. Tornou-se forasteiro, no seu próprio país, primeiro dedicou-se à Ciência Política depois à Gestão, quando finalmente percebeu que "Greed is not Good" regressou à planície beirã.

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