Basta de ataques à Educação

por Manuel Ferreira | 2014.10.04 - 21:26

 

 

A Educação tem sido para este Governo o parente pobre de todas as áreas da governação, atravessando um dos seus piores momentos. A educação pública tem sido não só negligenciada, como atacada por quem tem o dever e a responsabilidade de a defender e valorizar.

Veja-se o lastimável processo de colocação dos professores. A colocação inicial foi realizada mais tardiamente do que o habitual e, depois, na bolsa de contratação de escola, surgiram erros e mais erros, fórmulas estapafúrdias e subcritérios erróneos e mirabolantes. Constatámos o adiamento das rescisões de professores, assunto a ser resolvido com o ano lectivo já em curso; verificámos o fecho de escolas de modo unilateral, onde esteve ausente o diálogo com autarcas e pais; identificaram-se deficiências na contratação de pessoal não docente; notou-se a redução do orçamento em largos milhares de euros; assistimos ao persistente aumento de alunos por turma; confirmámos a indiferença perante a educação ao longo da vida; apurámos a redução no financiamento da educação especial, entre outras medidas gravosas.

Foram tantas gralhas e malfeitorias que levaram o ministro da Educação a um pedido desconfortável de desculpas. Este pedido de desculpas, porém, não apaga o que de mal este Governo e o ministro têm feito à Educação em geral e aos professores em particular.

É que o que está em causa não são só questões de anomalias processuais. É verdade que as trapalhadas são muitas. Mas elas derivam de uma concepção de Escola e de Educação em que a Escola pública e os professores aparecem desvalorizados, em que se utiliza uma retórica linguística de que a Escola pública e os professores são um elemento fundamental na sociedade actual e na futura. Contudo, nada disto corresponde à realidade governativa e às decisões que se tomam. A verdade é que a prática política educacional é orientada por uma lógica de reforma neoliberal, impulsionada pelo mercado, avessa a uma educação que defenda os valores democráticos da cidadania, da justiça e da igualdade.

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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