Barraca(da) dos livros

por Vítor Máximo | 2019.04.19 - 16:37

Estou no mercado do livro ou na melhor das hipóteses na barraca dos livros .
E confesso não gosto do que vejo, não gosto nada mesmo .

Vou tentar descrever duas situações, a minha que sou leitor e a do zé Manel um ser fictício não leitor mas que aspira sê-lo .
Vou começar por mim, infinitamente mais fácil .
Como qualquer leitor que se preze, anseio por feiras ou mercados do livro, cheira -me a novidades , cheira-me a descontos e é uma oportunidade para reabastecer o meu stock de marcadores de livros que passo a vida a perder.
E pronto lá vou eu todo pimpão e contente, mas qual não é o meu espanto quando chego ao Mercado 2 de Maio ainda sem a linda cobertura, dou uma espreitadela e não vejo nada.
Mau ! Penso para mim.
Será que já acabou e eu vi mal as datas ou ainda nem começou ?
Depois de um olhar mais atento vejo realmente uma …barraca lá enfiada ao fundo. Bem, lá me pareceu ver livros , lá me cheirou a livros. Aproximei-me, confesso com alguma ansiedade e confirmei que estava diante do 1.° mercado do livro , quer dizer de mercado não se pode chamar . Não havia preços de ocasião, não havia o pregão fresquinho e baratinho, não havia variedade. Para ser honesto não havia quase nada .
Tal era a desolação que consigo dizer de uma assentada o título de mais de metade dos livros que lá havia, todos os expositores, e ainda consigo descrever as duas pessoas que estavam dentro da barraca comigo, os 27 pássaros e 8 pombas que lá andavam a esvoaçar.
Nem os dois livros que comprei conseguiram acalmar a minha tristeza .

Agora vem a vez do Zé Manel .
Vou narrar na primeira pessoa para tentar ser mais realista e dar um cunho pessoal a experiência deste nosso amigo fictício .

Não sou um leitor regular, por um motivo ou por outro leio muito pouco ou nada mesmo, a não ser que se considere leitura, ler as letras gordas nos jornais desportivos .
Ainda um destes dias um amigo me dizia que talvez ainda não tenha encontrado um estilo literário ou um tema que me atraísse para a leitura . Pensei seriamente nisso e como vi publicado numa rede social o mercado do livro em Viseu, decidi dar lá uma saltada e quem sabe comprar um livro nem que fosse o da Anita.
Lá fui eu consciente da importância da leitura ou assim pensava eu .
É pá, fiquei logo de pé atrás assim que lá cheguei . Então toda a gente apregoa os benefícios da leitura, que desenvolve a imaginação , o vocabulário, faz viajar… até me contaram que numa revista semanal de referência nacional que começa por Vi e acaba em são, tinha um artigo com sete factos científicos a comprovar o quão faz bem à nossa saúde ler .
Desculpem mas é impossível .
Se ler faz assim tão bem, porque motivo não havia filas à entrada do mercado como nas bombas de gasolina esta semana?
Se faz tão bem à mente e à saúde, só há uma barraca ?
Se a cultura é um dos pontos mais abordados e supostamente mais dinamizados por esta câmara, é só isto ?
Não me apanham noutra, vou mas é ali até à esplanada aproveitar esta aberta neste dia chuvoso e beber uma cervejinha.

Feira ou mercado do livro não é novidade nesta cidade . Também não acredito que seja algo do outro mundo de organizar .
Fazer pior pelos vistos é bem mais fácil .
Não vou exigir só porque sou um leitor, um mercado do livro só para mim e ao meu gosto, mas assim como os os jardins efémeros se revelaram verdadeiramente vítimas do nome, receio que também as feiras do livro ou outro tipo de evento que não se dirija à grande massa se evapore no tempo.


Mas pensando bem até consigo perceber tal falta  de empenho ,vamos agora receber a green week, todos os recursos são necessários para limpar a cidade e pintá-la de verde para dar uma vez mais uma ideia que não corresponde a realidade.

Merecemos mais , merecemos muito mais.



Victor Máximo
Secretário da Comissão
Política Concelhia CDS-PP

(Foto DR)

Educador de infância. Militante CDS-PP

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