Baía Farta (II) – Alma Africana

por Romira Jamba | 2014.01.23 - 00:43

Quem sabe o que é a alma? Uma espécie de sentir que vai para além do racional e se situa a meio caminho do espiritual.

Há uma alma africana como haverá, talvez, uma alma europeia, americana, asiática… A alma africana é mais coesa pelo entranhado sofrimento de séculos da sua História.

África foi partilhada por portugueses, franceses, belgas, ingleses, etc. Foi a riqueza de muita nação. E dessa partilha nem sempre resultou assunto lícito.

Sem falar da minha Angola, leia-se com atenção o livro de Vargas Llosa, O Último Celta. Fico por aqui, nesta matéria.

Os portugueses têm afinidades com África. Cinco séculos. Se hoje há perto de meio milhão de portugueses em Angola, não consigo dizer quantos angolanos estão em Portugal. Seguramente muitos.

Não esqueço que há imensos portugueses com mais de 40 anos que nasceram em Angola, Moçambique, na Guiné. Se regressaram a Portugal após a independência, são tão africanos quanto eu.

Pode a cor da pele ser mais clara ou mais escura, mas a alma é africana, a sua origem é africana, as suas raízes estão geradas no solo africano.

Por isso, minha amiga Ana C., que nasceu no Lobito em 1972, a escassos 40 quilómetros de minha querida Benguela, voltou ao seu solo pátrio e me contou da emoção profunda e intraduzível que sentiu nesse retorno a sua origem, quando pisou Catumbela.

Se a diáspora é dispersão, ela não foi só dos hebraicos. O povo africano está hoje por todos os continentes disperso. Há uma diáspora africana que não é diferente da portuguesa e que nos irmana no sentimento, na saudade e na constância. Eusébio não o prova?