Baía Farta – A Primavera chegou hoje à tardinha

por Romira Jamba | 2014.03.20 - 20:29

Hoje começa a Primavera. E o começo desta estação traz-me ânimo e calor. O calor que existe em qualquer africano e que o inverno português afasta de nós por alguns meses. O frio não se dá bem connosco. O nosso clima não tem diferenças tão profundas. É uma bênção que até na nossa pele se reflete.

Hoje, a maior parte da vida profissional é feita no interior. De um avião. De uma empresa. De um hotel. De uma sala de reuniões. De nossa casa. Se contabilizarmos o tempo que estamos ao ar livre e por comparação com o tempo do nosso “fechamento”, percebemos que em cada 24 horas do dia, não passamos uma hora no exterior aberto do mundo que nos rodeia. Vivemos emparedados, em atmosferas onde é recriada a temperatura ideal para as nossas mentes, perfeita para os nossos corpos mas absolutamente assonante da realidade. Ainda bem que assim é. Pelo menos para mim que não sou compatível com o frio.

Os nossos corpos e as nossas mentes aspiram pelos períodos de interrução do trabalho não só pelo descanso que nos podemos propiciar, mas mais até pela mudança de ambiente e pela possibilidade de estarmos em comunhão com a natureza, principalmente num ambiente rural acolhedor ou numa praia ensolarada, com águas tépidas.

Portugal insere-se na zona temperada do Norte com características climáticas das regiões temperadas mediterrâneas, com as suas exceções bem marcadas, nomeadamente a nível de Serra de Estrela e do norte, com influências continentais.

É fácil encontrarmos os zero graus no Inverno e os 35º no pico do Verão (ou até mais).

Em Benguela, o clima é quente, seco e com média de temperatura em volta dos 25º e com uma humidade relativa de 70 a 80%. Hoje estiveram 32 graus. O Porto hoje teve 14 graus. De que modo estas variações influenciam os comportamentos? Não sei. Apenas posso dizer que no início da minha vinda para Portugal, o frio me deu sofrimento, bem como a saudade.

A primavera, ou o tempo primeiro, é o período da renovação da fauna e da flora. Parece que saímos da nossa “hibernação” com o anseio do sol e do seu calor.

Ser angolana é trazer o sol connosco. A tepidez nos movimentos, a graça nas atitudes. Mas tenho que confessar, como um segredo inexplicável, que sinto uma atração forte pelos países frios do Norte da Europa. Como será viver com aquelas temperaturas? Como será ter dias escuros e curtos? Ter neve e gelo? Possivelmente, as pessoas vivem mais para dentro, para o seu interior, para a guarida da realidade exterior.

Não quis falar do tempo. Quis falar da Primavera tão risonha hoje chegada. Perdi-me com as palavras. Foi do calor, desculpem.