Assim se fez a nossa história!

por José Chaves | 2019.03.21 - 13:35

 

A ASPP/PSP desde a sua criação, corria ainda os finais dos anos 70 do século passado, sempre se debateu com “forças estranhas” que pretenderam aniquilar o sentido da sua existência: lutar por melhores condições de trabalho e direitos laborais para os polícias.

 

Logo a seguir aos secos e molhados de 1989, foram criados dois sindicatos nos corredores do antigo Comando Geral para dividir os polícias. Mas tal durou poucos anos, os polícias de então, com menos habilitações literárias, compensavam em saber, solidariedade, responsabilidade e dedicação, e nunca se deixaram levar pelo canto da sereia, mantendo-se unidos em torno do ideal sindical que sempre foi representado pela ASPP/PSP.

Numa disputa eleitoral nos finais dos anos 90, o poder político e a PSP souberam aproveitar para, mais uma vez, tentarem dividir os polícias: a lista que perdeu as eleições na ASPP/PSP, criou um sindicato para nos fazer frente e sobretudo dividir o muito poder que os polícias estavam a ter.

Começou o novo milénio e chega a Lei sindical, depois de décadas de luta – exclusivamente – protagonizada pela ASPP/PSP, finalmente os polícias tiveram plasmado em Lei a possibilidade de terem voz ativa no seu futuro. O velho problema da tentativa de dividir os polícias tinha agora um amplo campo para se instalar… e instalou!

Inicialmente, de forma muito tímida, foram sendo criados os mais variados sindicatos, com os argumentos mais ou menos incoerentes, mas todos contribuíram para dividir os polícias e descredibilizar um movimento de décadas e feito com muito sangue suor e lágrimas.

A ASPP/PSP mesmo com todos estes reveses, nunca deixou de ter na sua ação o respeito por quem fez muito para sermos hoje o que somos, e na comemoração do dia da mulher, decidiu homenagear umas das mulheres que esteve presente nos inícios do movimento, a Senhora Chefe Coordenadora Adelaide Fontoura, que numa altura muito mais difícil que hoje, não deixou de dar o seu contributo para que o movimento sindical fosse uma realidade. Foi destes homens e mulheres que fizemos assim a nossa história.

Não. Não nos esquecemos destes homens e mulheres. Não nos esquecemos que o Comissário Santinhos com a vida em Lisboa foi transferido para Bragança, que houve polícias do Porto que foram colocados em Faro, tudo por acreditarem e lutarem por um ideal. Não nos esquecemos das perseguições hierárquicas e que depois os vimos como delegados e dirigentes sindicais. Não nos esquecemos que muitos sindicatos foram criados nos corredores do poder só para diminuir a influência da ASPP/PSP. Não nos esquecemos dos ataques constantes, em que parecem estar mais interessados em diminuir a importância da ASPP/PSP que lutar por direitos e dirigir o combate contra a administração. Não nos esquecemos que somos os herdeiros do ideal do Comissário Santinhos, do Chefe Carreira, do Alberto Torres e muitos outros.  Não nos esquecemos que, herdeiros de uma história, temos a obrigação de pautar a nossa intervenção sindical com base na honestidade, na responsabilidade, na coerência e sobretudo na solidariedade.

Não nos esquecemos quem somos, de onde viemos e sobretudo para onde vamos.

Vice-presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP)

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