Aspiradores bancários

por José Carreira | 2014.07.03 - 12:40

Já passou um ano desde que a DECO levou ao Parlamento uma petição pelo fim das comissões de manutenção nas contas à ordem. A petição foi assinada por cerca de 90 000 pessoas e, desde então, a questão tem vindo a ser debatida na Assembleia da República, tendo sido apresentadas três propostas de lei.

O Banco de Portugal, em Março, emitiu uma recomendação que reconhece que a cobrança de uma comissão deverá estar associada à prestação efetiva de um serviço e que a cobrança de despesas em função do saldo médio é uma prática desadequada.

Os sinais têm sido dados, mas na prática nada mudou. Todos sabemos para que servem as recomendações… Todos conhecemos a eficiência do Banco de Portugal…Todos nos lembramos, porque pagamos, das falhas claras na supervisão bancária em casos como o BPN e o BPP…

Todos nós estamos recordados dos elogios que eram feitos ao dinheiro de “plástico”: “já tem cartão?”; “Porque não usa o cartão?”; “Faça os seus pagamentos pela net, é mais rápido e não tem custos.”

Em janeiro, fomos confrontados com as comissões interbancárias, ou seja, por cada pagamento que seja efetuado para uma conta de um banco que não seja o nosso, a Caixa Geral de Depósitos cobra 52 cêntimos. Imagine quanto cobram em taxas, por exemplo, a uma instituição / empresa que trabalhe com múltiplos fornecedores e clientes.

Confrontado com esta situação, fui à CGD reclamar, mas nada há a fazer, ao que parece. Pedi informações noutros bancos e os valores são ainda mais elevados. No Millenium BCP cobram cerca de 1,00€ e no Santander 1,30€. Ainda pensei mudar de banco, mas com estes dados…

Os bancos aspiram o resultado do nosso trabalho com uma cadência e falta de escrúpulos cada vez maiores. Fico com a sensação que disputam o pódio com os cobradores de impostos.

Assim não dá!

Se de um lado chove, do outro faz vento. Assim vai o tempo, desde que começou o Verão. Um tempo triste, ensobrado pela performance negativa da nossa seleção no Brasil. Os portugueses estão tristes, deprimidos, desconfiados, desiludidos e sem dinheiro. O fracasso do futebol fez emergir o fado e a saudade e submergir a ténue esperança de um futuro melhor. Os golos do Ronaldo dão-lhe muitos milhões e alegram muitos corações… espanhóis.

Os nossos corações podem não andar contentes mas são muito resistentes. Se assim não fosse, não resistiam à terapia de choque a que são submetidos desde 2008, pelo menos.