As listas

por Miguel Fernandes | 2015.08.03 - 22:27

 

Foram apresentadas as listas de candidatos às próximas legislativas no universo dos partidos que constituem o arco do poder.

Existem diversos tipos de análise possíveis e válidos. Como abordagem mais fascinante, surge-me, desde logo pela sua proximidade, a visão local. A simplicidade das legislativas começa no sentido em que o deputado é o máximo representante das vontades de uma região no parlamento nacional. Portanto, neste artigo, o que interessa é entender o que nos calhou em, boa ou má, sorte. Para quem espera uma análise nacional, uma consulta ao Expresso ou mesmo ao Público dará melhores resultados. Afinal de contas esta é a Rua Direita (de Viseu).
Relativamente às listas, entre 2011 e 2015, existem diferenças assinaláveis. Facto que “per se” poderá ser positivo, mas o tempo encarregar-se-á de desfazer todas as dúvidas.

Segundo os indefectíveis, de ambos os lados, “(todos) os candidatos têm percurso político inatacável ou um curriculum profissional invejável. A política baixa de faca na liga não existe; é tudo má-língua”. Está provado que na era do TIDAL a K7 pirata continua a fazer vítimas.

De acordo com os realistas, o distrito uma vez mais sai derrotado.
Saiu derrotado na coligação. Quando três, dos quatro primeiros lugares, são indicados a nível nacional, algo vai mal. A distrital, de Mota Faria, limitou-se a indicar o “Político Profissional” e a ver a ex-autarca Isaura relegada para o fundo da lista, substituída por uma jovem desconhecida. Entre Faria&Alves estão nomeados os derrotados da coligação.
O CDS-PP foi CDS-PP e, como CDS-PP, garantiu o lugar de Hélder Amaral.

No PS a derrota é tanto mais clara como pública. Em terra de desconfiados, a cabeça de lista é uma simpática forasteira que entre Pastéis de Vouzela e Pastéis de Tentúgal estará mais familiarizada com os últimos. Tendo sido excluído o peso pesado Junqueiro, ou mesmo Acácio, o sectarismo foi convidado de honra. Também por isso estalou o verniz numa carta assinada pela líder da concelhia de Viseu. Numa altura de medos e tacticismo, honra seja feita, Modesto surpreendeu pela coragem.

Neste particular, Mota Faria fez Borges parecer um amador profissional. Em campanha, pelas ruas do distrito, aos brilhantes dirigentes da coligação, de modo a saírem vencedores da contenda, bastará afirmar: “A nossa lista é fraca, sim. Mas já olharam bem para a lista do PS?”.
Já as boas gentes do distrito devem entender as legislativas como uma espécie de derrota sazonal. Aconteça o que acontecer sabemos que não vai ser bonito e temos a forte suspeita que nas próximas ainda será pior.

 

Miguel Fernandes, nascido em Viseu nos anos 80, durante a adolescência foi consumidor hiper-activo de televisão, música pop e lustrosos clássicos herdados do seu avô paterno. Tornou-se forasteiro, no seu próprio país, primeiro dedicou-se à Ciência Política depois à Gestão, quando finalmente percebeu que "Greed is not Good" regressou à planície beirã.

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