As crispações supérfluas

por Romira Jamba | 2017.01.06 - 13:59

 

 

 

Não escrevo com a frequência que desejaria pois a s vidas, nas suas vicissitudes, a profissional cada vez mais exigente e a pessoal, com uma família a quem dar atenção e amor, tiram o alento e a ponderação que a escrita requer.

Sigo o Rua Direita até e enquanto colaboradora quase da primeira hora. Ultimamente tenho lido algumas notícias e/ou troca de galhardetes referentes ao Jornal de Angola e aos editoriais escritos pelo seu diretor José Ribeiro.

Estar a uma distância de seis mil quilómetros do nosso país natal, que vemos e ouvimos à distância, na entreteia tricotada nas crónicas da comunicação social, é uma situação quase irreal pois há muito sei, também, que os governos (todos) detêm a sua máquina de propaganda política que tem uma única função: ser o eco, a voz e a mensagem dos governos. Mas viver com a família portuguesa, em Portugal, trabalhar em Portugal e conviver diariamente com portugueses, criou-me uma segunda pele e uma forma de coabitar com as duas realidades, interiorizando o melhor de cada um destes mundos sem deixar de lhes notar os defeitos. E se Angola tem defeitos, Portugal também não é a eles imune. Há uma situação delicada em escrever acerca de Liberdade e Democracia e as situações distintas de cada país.

As nossas culturas, as nossas mentalidades são tão diferentes e simultaneamente com tantos pontos em comum. Eu não ignoro “regimes políticos” e distintas atuações, na prática, não na teoria. Gostaria era de ver, para bem de quantos portugueses labutam quotidianamente em Angola e de quantos angolanos trabalham em Portugal, menos crispação e mais fraternidade.

Serei uma sonhadora? É bom sonhar.

Estes são os meus Votos para 2017: cordialidade, fraternidade e paz. Aqui e lá.