Após um ano…

por Alexandra Campos | 2019.07.24 - 22:31

Li e li e li, tentei muitas vezes perceber se é o amor doentio ao fogo, se é o capital da pasta de papel, se a pobreza de um país sem meios e sem recursos. Se é tudo isto e se por isso, tudo se repete, continuamente, doentiamente.

Hoje a Leslie, após um ano de Ophelia. Nem sempre há meia placa queimada. Às vezes arde tudo. E quando regressas a estas serras, percebes que há em cada conversa um fogo que não se extingue, que não é apenas o Pinheiro recto feito cinza, é a memória dorida, de tudo o que foi e a consciência do que demora a ser.

Talvez das cinzas se faça verde, mas da memória faz-se muitas vezes um cemitério de dor. E cada vez que sobra meia placa, há metade de uma pessoa que parte, metade de uma terra que morre. É urgente arrancar estas placas, limpar-lhe as cicatrizes e replantar o verde onde é preciso verde e a confiança onde há mágoa e dor.

Hoje ouvi um senhor dizer: “Foi-se a vinha, o gado, a casa e a azeitona…descansemos”. Mas só uma pessoa sem medo consegue descansar sozinha. Não é meia ajuda, meia árvore, meio subsídio, meio distribuído.

No meio só mesmo a virtude, a ajuda quer-se como a placa e como a vida, a apontar para o sítio certo e inteira.

Alexandra Campos

Engenheira Florestal

(Foto DR)