Ana Margarida de Carvalho: uma grande jornalista e escritora

por Paulo Neto | 2016.12.18 - 12:33

Todos nós conhecemos, de a ler e pelo seu percurso de impoluta jornalista, a Ana Margarida de Carvalho. Talvez por isso tenhamos estranhado um post no seu sítio, que sob o título de “Debituário”, começava assim:

Havia um autor famoso que dizia ‘fala sobre o que quiseres, mas não escrevas sobre a vidinha’. Pois venho desobedecer-lhe, é justamente da vidinha que eu venho aqui tratar. Da minha. E quero, antes de tudo, agradecer a tantos e tantos amigos e colegas (alguns distantes) que se interessaram e quiseram saber e me telefonaram e mandaram mensagens. Nem imaginam como foi importante para mim. Não vou esquecer. Os que não me falaram, não se preocupem, eu já esqueci.

1º- Não deve haver nada mais inglório do que acabar uma carreira de 24 anos de jornalismo num gabinete de um director de recursos humanos.

2º- Não deve haver nada mais inglório do que ter de enfrentar sozinha um destes seres anónimos e transitórios, sem uma única palavra de explicação, de apoio e de solidariedade de quem devia e podia.

3º- Não deve haver nada mais inglório do que ser destratada e desconsiderada e humilhada e coagida a assinar um contrato de rescisão, tudo menos amigável.

4º- Este meu despedimento não foi a pior coisa que me aconteceu naquela redacção. Foi apenas a última.

5º- Não guardo qualquer ressentimento em relação a esta direcção. É tão má como qualquer outra anterior (sem contar obviamente com a do Carlos Cáceres Monteiro, o único director, grande-repórter, líder que conheci). Estes apenas fazem o que lhes mandam- e mal. São outros seres anónimos e transitórios. E estão assustados (no sentido brechtiano do termo)

6º- Cometi um erro: foi levar o jornalismo demasiado a sério, quando ele não queria ser levado a sério.

(…)

9º- No jornalismo conheci as piores pessoas, as mais cobardes, as mais desleais, as mais mesquinhas, as mais medíocres, as mais desinteressantes, as mais incompetentes, as mais desonestas, algumas nem sabia que podiam existir (achava que era só nos livros, enfim)…

Mas depois conheci pessoas maravilhosas que se tornaram amigas de infância. E isso vale tudo e apaga o resto.

(…)

Ana Margarida de Carvalho dixit (Ex-Grande Repórter da Visão, escritora, autora dos romances: “Que Importa a Fúria do Mar” e “Não se pode morar nos olhos de um gato”).

Lembramos que a “Visão” pertence ao grupo Impresa de Pinto Balsemão e Mafalda Anjos é a sua directora desde Setembro, substituindo João Garcia, tendo sido editora da Revista Expresso durante sete anos.

A Ana Margarida de Carvalho os votos de uma longa e brilhante carreira como escritora, lá para os lados do Parnaso onde não existem pessoas cobardes, desleais, mesquinhas…

Homenagear Ana Margarida de Carvalho é continuar a lê-la. Agora, na sua genial “ficção”, que por acaso — só por acaso — até rima com “visão”.

Ler aqui…

https://www.facebook.com/anamargarida.decarvalho/posts/1155378237915408