Alguém tem ideias?

por Maria do Carmo Abreu | 2013.12.03 - 20:29

E de repente acontece. É o olhar furtivo de um filho que marca um golo, uma dança improvisada com uma filha ao som de Waka Waka da Shakira ou uma conversa com ela antes de dormir, quando a língua está mais solta. Outras vezes é uma paisagem de cortar a respiração ou a Via Láctea no campo, onde não há contaminação luminosa e é possível vê-la imensa e majestosa . Ou ouvir Suspicious Minds do Elvis, rodeada de gente que gostamos  tanto , que não falar não incomoda. Ou ter uma hora para ler aquele livro.

Até aqui tudo normal. A maioria das pessoas encontra no seu tempo de ócio momentos para a felicidade. O difícil e verdadeiramente  excitante, é encontrar  esses  momentos , nesse outro terço da nossa vida que dedicamos ao trabalho.

Desta  felicidade, fala um prestigiado professor de psicologia húngaro, Mihaly Csikstentmihalyi. A sua teoria é que a felicidade é um fluxo e que o trabalho é mais propício que o ócio, para alcançar esse estado de fluxo.   Isto é, se temos a sorte de ter escolhido a profissão, de gostar do que fazemos , de concentrar todos os esforços e energias nesse repto, gerimos o melhor possível  e temos retorno. … então, aqui está a felicidade !

O pior é que o futuro é muito sombrio em matéria laboral e o trabalho vai converter-se num bem tão escasso e precioso como o petróleo . A esperança de vida continua  a aumentar e assim os anos de inactividade. Para cúmulo, há um geriatra maluco que afirma, que a pessoa que viverá 150 anos já nasceu e que em duas ou três décadas , pode fazer-se com que o homem viva até os mil anos !  Poderia ser a sinopse dum filme de terror. Inactivos, aborrecidos, deprimidos num futuro sem trabalho. Impotentes.

É urgente inventar outras formas de felicidade. Isto para não falar do que vamos comer…..

Alguém tem ideias ?