Aguentar as dores um mês e meio…

por Eme João | 2015.04.02 - 17:23

Nos últimos dias, por causa de uma tendinite, tive de deslocar-me ao posto médico para tentar conseguir uma consulta. Quando cheguei já não havia vagas e disseram-me para tentar no dia seguinte. Mas no dia seguinte a situação voltava a repetir-se.

Decidi então ir à urgência, à noite. Telefonei para saber informações e disseram-me que as senhas eram distribuídas a partir das 16 horas. Por volta das 15h e 30m, cheguei ao posto. Desloquei-me ao balcão de atendimento e disseram-me que já não havia senhas. Perguntei então se as senhas não eram distribuídas a partir das 16 e a funcionária respondeu que era conforme dava jeito à colega. Depois, já eram ordens superiors… Após este interessante diálogo pedi o livro amarelo. Ainda tinha umas páginas livres.

No dia seguinte, lá consegui consulta. Fui atendida por uma suposta médica espanhola. Já explico porque escrevo suposta médica.

Após explicar qual era o problema, a dita senhora diz, para meu espanto, que para resolver o meu problema tinha que em primeiro lugar ir ao médico. Bem, se não fosse estar com muitas dores, provavelmente o diálogo teria evoluído de forma pouco agradável. Depois, manda-me despir, supostamente para avaliar melhor a situação. Mas foi mais o passar a mão pelo pêlo, como se costuma dizer. Mandou-me voltar a vestir e sentar, continuando a dizer que não podia fazer nada sem que eu fosse ao médico. Como eu já começava a perder a calma, perguntei-lhe se podia receitar-me algo para as dores pelo menos até eu ir ao médico…. Lá passou a receita. Paracetamol!

Afinal, não precisava de ter ido ao veterinário (supostamente a senhora espanhola era veterinária) bastava ter ido à farmácia e comprava o famoso benuron e poupava 5 euros, que a meio do mês dão muito jeito.

E agora, perguntavam vocês, porque não fui ao hospital da zona? Não fui, porque gastar 20 euros e esperar um dia para me ministrarem buscopan, que é o que acontece a todos os que se deslocam às urgências com alguma dor, penso que é algo indiscritível.

Aliás, há dois anos dei uma queda e fui a esse hospital, o médico que me atendeu colocou-me o gesso e no fim ainda perguntei se não fazia um rx. Respondeu-me que não valia a pena. Porque o pé estava partido ou então era rotura de ligamentos. Em qualquer dos casos o pé tinha que ser engessado.

Mas nem tudo é mau. Finalmente entrei naquela coisa do portal da saúde, e lá consegui marcar a tal consulta. É já em Junho. Que bom só tenho que aguentar as dores por um mês e meio….

 

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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