Agricultura familiar

por Rui Coutinho | 2014.01.10 - 13:02

A FAO designou 2014 o Ano Internacional da Agricultura Familiar. Este conceito, que para muitos poderá ser encarado como um regresso às origens, encerra em si um conjunto alargado de preocupações a que os organismos internacionais têm estado particularmente atentos na procura de resposta adequadas.

A iniciativa da FAO, de dimensão global, visa fomentar, fortalecer e acarinhar o desenvolvimento mais sustentado do sector agrícola, assente numa visão complementar para o sector.

A agricultura de índole familiar é de crucial importância em países desenvolvidos e é um poderoso instrumento de crescimento económico em países em vias de desenvolvimento. Em muitos dos casos, trata-se do verdadeiro motor do sector. Na América Latina, 80% dos alimentos produzidos têm origem neste tipo de agricultura. Actualmente existem 500 milhões de pequenos agricultores que têm no seu agregado familiar a mão-de-obra que em muitos lados escasseia e é presentemente alvo de escravatura, como tem sido noticiado por cá.

Nos dias de hoje, e em face das constantes inovações, muitos advogam que estes agricultores são os que ainda conseguem preservar a biodiversidade, não só ecológica como em muitas situações também os aspectos socioculturais, uma vez que são os que melhor conhecem e conseguem preservar e perpetuar os locais onde desenvolvem a sua actividade, estabelecendo os elos de ligação entre as diferentes actividades aí existentes.

Muitos dos documentários exibidos nos casos do regresso à terra têm por base esta matriz, a que se acrescenta (e bem) um conceito social e cultural com pendor mais urbano, uma vez que os novos agricultores na maioria dos casos possuem apenas ténues relações com o meio.

Esta visão de pendor ecológico necessita no entanto de ser complementada com as crescentes necessidades de aumentar de modo notório os alimentos disponíveis para uma população que não pára de crescer. Segundo a ONU, até 2050 é necessário aumentar em 70% a disponibilidade de alimentos para a população mundial. Neste sentido, muitos defendem a necessidade de aumentar a produtividade agrícola por um lado, e por outro diminuir de forma drástica o desperdício alimentar. Atentos a estas preocupações duas das maiores empresas mundiais do sector, a John Deere (maquinaria agrícola) e a BASF (agro-químicos), anunciaram uma parceria no sentido de optimizar e desenvolver metodologias que permitam a tomada de decisões mais adequadas e correctas.

Assim é notório que muito está ainda por fazer, mas a inovação, a investigação, o conhecimento e a adopção de medidas conjuntas parece ser uma das maneiras para melhorar e preservar os diferentes tipos de agricultura a desenvolver em cada local.

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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