Agostinho Ribeiro Director do Museu Nacional Grão Vasco

por Alberto Correia | 2016.12.23 - 10:02

 

 

Conheci o Sr. Dr. Agostinho Ribeiro há mais de 30 anos. Eu era então aprendiz de museólogo, estagiando por seis meses, no Museu de Lamego, o primeiro que pela mão de meu pai visitei na minha infância, o Dr. Agostinho era então um jovem professor, empenhado visitante do Museu com seus alunos, ali se lhe definindo vocação que o faria, mais tarde, entrar nesta carreira. E com ele partilhei na altura, já, um projecto museológico, uma animação centrada no Mito do Rei Édipo contado no poderoso ciclo das belíssimas tapeçarias do Museu, construindo eu o texto, definindo ele a “performance”, evento de que a Revista Escola Democrática na altura publicada fez eco.

Quase logo vim dirigir o Museu, então de Grão Vasco; pouco tempo depois ele tornava-se técnico superior do Museu de Lamego que dirigiu longos anos, sucedendo ao estimado museólogo Dr. Abel Flórido.

Houve partilhas várias, entre os nossos museus, durante muitos anos. Eu celebrei aqui os 75 anos do Museu; no ano seguinte acontecia lá a efeméride. Significativa e abrangente a Exposição de Ex-Votos a que se associou o Museu da Guarda dirigido pela comum e estimada amiga, Dr.ª Dulce Helena Borges que encheu de vida aquela casa, e uma substantiva parcela de Castela, no país vizinho.

Nem sempre foi fácil dirigir estas casas. Orçamentos restrictos, pessoal insuficiente, renovações arquitectónicas em atraso…não foram as únicas causas.

Quando cheguei ao Museu de Grão Vasco nos finais de 1984,este Museu não possuía iluminação eléctrica no 1.º piso, não possuía qualquer técnico superior e o pessoal da guardaria, como então se dizia, possuía na altura a 4.ª ou até 3.ª classe. Agostinho Ribeiro é em Lamego o 1.º técnico Superior que incarna as superiores valências do Museu. Mais tarde lutará pela renovação da casa, o velho Paço dos Bispos, como o de Viseu.

Uma coisa nos competia: respeitar o trabalho dos antecessores. Fizeram, de certeza, tudo quanto podiam. Basta ver Almeida Moreira, em Viseu. Quase tudo lhe pertence: o espólio que o consigna agora como Museu Nacional, o Programa que ninguém alterou, apenas adaptou. Fui o 4.º Director, na série; Agostinho Ribeiro é o 9.º Director efectivo, que entretanto outros geriram a casa interinamente.

O Dr. Agostinho Ribeiro acaba de levar ao fim um substantivo projecto – a comemoração do CENTENÁRIO do Museu. Fê-lo com brilho, cativando vontades múltiplas. A cidade partilhou consigo os projectos e acarinhou-o; de longe vieram mais visitantes. E o Museu cumpriu-se.

E este sustentado projecto requer continuidade. Mais um pouco. Vozes ergueram-se para o exigir. Vozes políticas, representantes, sem dúvida, do povo, que devem ser também de cidadãos, que não devem esquecer que o são também e só nesse caso vale sua fala. Tutelas existem sempre. Atentas, sem dúvida. Tantas vezes errando. Bom era que se dessem conta. Há sempre tempo de emendar erros. Basta querer. E o fim de ano é propícios para a reflexão.

Que tenhas Boas Festas, caro amigo, Dr. Agostinho Ribeiro.