Afinal… morremos todos

por Romira Jamba | 2019.08.18 - 13:18

A vida é breve. Este conceito é variável. Um pobre desamparado, doente e miserável, pode achar a sua vida, além de um calvário, uma eternidade. Por outro lado, um homem muito rico, um futebolista famoso, um político de grande envergadura, poderão pensar que a vida lhes é curta para usufruto de tudo a quanto se acham com direito.

Mas morremos todos. Com menos ou mais benesses, com menos ou mais cuidados ou honrarias, morremos todos.

O miserável marginal é, nessa hora, da dimensão de um Rotschild, de um Estaline, de um Eusébio, de uma Marilyn Monroe, de um Al Capone.

E quando vão a enterrar, na vala comum ou no mais luxuoso mausoléu, a diferença de espaço ocupada não é significativa. Como também não é diferente o peso das cinzas de uns e de outros – partindo do pressuposto que o miserável seria alguma vez cremado. De acordo com a massa corporal de cada um, somos mais ou menos 200 gramas de cinza.

200 gramas de insignificância e privações, 200 gramas de apoteose e fama, 200 gramas de centenas de quilos de ouro, 200 gramas de vigarices e corrupção, 200 gramas de perfídia, maldade e vileza, 200 gramas de bondade e solidariedade.

Vita breve ars longa, escreveu Hipócrates, melhor o parafraseando Camões no Canto I dos Lusíadas “E aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da morte libertando”… Estes, aqueles que à Humanidade deixam um legado benévolo, partem mas deixam de si e pela sua obra, um exemplo, uma memória positiva, um contributo da sua passagem.

São poucos por comparação com aqueles que atrás de si, além dos 200 gramas de cinza que qualquer brisa dissipará, deixam um rasto de opulência, insensatez, cupidez, perfídia, maldade, ganância, crueldade e… lama.

Por isso, talvez uma ponderação sobre a Morte nos fosse a todos benéfica. Porventura, haveria mais humildade e menos maldade, perante toda esta efemeridade…

Romira Jamba