ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.06.01 - 09:09

 

 

 

No dia 20 de novembro de 1959 a ONU consagrou este dia como o Dia Mundial da Criança, por ter sido nessa data que foi aprovada a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Em Portugal, o Dia Internacional da Criança celebra-se a 1 de junho.

 

Porque as crianças são o melhor de nós, vou contar uma História de Encantar do século XXI, baseada em aspetos verídicos.

Era uma vez uma menina que se chamava Safira que morava num reino bué, bué, bué longe com os seus pais, um casal heterossexual, num reino com princesas, príncipes, fadas, dragões e vilões.

O dia era 1 de junho e a Safira saltou da cama cantando um rap: “go sister, it’s your birthday, we gone party likes it’s your birthday”, abanando o corpo dirigindo-se ao quarto dos seus pais.

Chegou ao quarto dos pais, abriu a porta e gritou com toda a força que tinha nos pulmões: Pai, Mãe hoje faço anos!!! Os pais pegaram nela ao colo, deram-lhe os parabéns, encheram-na com beijos e miminhos e disseram: temos uma grande surpresa para ti! A Safira ficou ainda mais radiante do que estava e perguntou de imediato: o que é, o que é? Os pais responderam: à tarde já vais saber, tens que esperar. A Safira balbuciou qualquer coisa entre dentes e foi para o seu quarto.

A manhã foi passando entre pinotes e muitos sorrisos à mistura e depois de almoço os pais da Safira pegaram nela e dirigiram-se a um salão da sua casa. Quando abriram a porta ouviu-se um grande barulho e muitas pessoas disseram em unissono: Parabéns Safira!!! Ela gritou de felicidade dizendo: obrigada, muito obrigada! No salão estava toda a sua família, a sua melhor amiga e de todas as brincadeiras, todos os seus amiguitos e os cidadãos do reino em que vivia.

A tarde foi passando entre o árduo trabalho de desembrulhar prendas, muitas correrias e traquinices e tendo como pano de fundo o som das melhores bandas do reino.

Chegou a noite e a Safira estava exausta de tanta felicidade, alegria e amor. Mal se deitou na cama adormeceu de imediato com um grande sorriso nos lábios.

No dia seguinte quando acordou, a primeira coisa que fez foi ir passear o seu dragão (uma prenda que lhe deram e a que chamou Estrela Dourada. Quando estava à espera que o Estrela Dourada fizesse as suas necessidades encontrou um menino a chorar por trás de um arbusto. Chegou ao pé dele e disse: estás a chorar porquê. Ele disse: não tenho pais e a Bruxa da rua dos Malmequeres quer que eu faça coisa ruins. Ela perguntou: o quê? Ele respondeu: quer que eu roube as joias da Princesa, que me junte ao Senhor Lobo e que destrua todas as casas do reino. Ela prontamente respondeu: mas tu não podes fazer isso. Ficaram os dois em silêncio e depois de cada um dizer ao outro o seu nome, a Safira decidiu levá-lo para sua casa.

Os dias foram passando e os dois meninos ficaram inseparáveis. Os pais da Safira afeiçoaram-se ao menino e já o consideravam como filho. Quando ambos se portavam mal, ambos eram castigados. Quando ambos se portavam bem, ambos eram recompensados.

Certo dia, estavam ambos no jardim de sua casa, de volta de um jogo no tablet depararam-se com uma notícia de última hora. A notícia era o desaparecimento de um menino muito mau que tinha cometido várias infrações e feito coisas feias e cujo nome era Rubi. Ficaram ambos estupefactos, isto porque este era o seu nome e a notícia era sobre ele. Depois de pesquisarem no Google, descobriram que os vilões do reino se tinham juntado e publicado um artigo inventando coisas horríveis sobre ele e responsabilizando-o de coisas que nunca fizera. Ficaram muito zangados e elaboraram um plano para desmascarar os vilões.

No dia seguinte, ambos decidiram enviar sms a todos os seus amigos pedindo para se encontrarem no Clube, um sítio secreto onde podiam estar à vontade e porem o seu plano em prática. Vierem todos, desde o Cão dos Ténis, a Fada Anairo, o Menino de Prata, a Capuchinho Rosa, o Belo Acordado, a Princesinha, os Três Javalinos, a Canudinhos de Bronze, os Sete Gigantes, entre outros.

O plano foi discutido, aprovado e distribuídas as tarefas a todos os participantes.

Sendo esta, uma história do século XXI, o plano envolvia as novas tecnologias. As tarefas atribuídas consistiam em investigar o facebook dos vilões, os fóruns de conversas e as comunidades virtuais próprias para eles.

Depois de muitas peripécias e alguns imprevistos, os meninos descobriram todas as provas contra os vilões e com a ajuda dos seus amigos desmascaram e puseram em pratos limpos toda a história de mentiras que tinham inventado.

Os vilões foram castigados e a vida continuou.

Os dias transformaram-se em semanas, as semanas transformaram-se em meses e quando os meninos deram conta, já era dia 20 de novembro. O que tem de especial este dia, perguntam vocês? Pois bem, o Rubi fazia anos.

Era de manhã e o ritual que a Safira levou a cabo na altura dos seus anos o Rubi também o fez. Passou-se exatamente tudo igual, a única diferença foi que quando o Rubi entrou no salão depois do almoço, só lá estavam os pais e a irmã com um grande cartaz onde estavam escritas as seguintes palavras: ÉS O NOSSO FILHO, O MEU IRMÃO, A NOSSA FAMÍLIA ESTÁ COMPLETA!!!

A tarde foi deliciosa, passou num piscar de olhos, cheia de mimos, muito amor, muitas brincadeiras à mistura e, claro, não esquecendo o árduo trabalho que o Rubi teve de abrir as suas prendas.

A Safira e o Rubi cresceram como irmãos e muito amigos, e com os seus pais foram felizes para sempre.

 

Porque as crianças são o melhor de nós, vamos amá-las e protegê-las.