ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.05.01 - 13:43

 

 

No dia 1 de maio comemora-se o Dia da Mãe; em Portugal comemora-se no 1º domingo de maio. Contudo, nem sempre foi assim. Este dia já foi comemorado a 8 de dezembro (dia da Nossa Senhora da Conceição – Padroeira de Portugal), mas passou a ser celebrado no primeiro domingo de maio em homenagem a Maria, mãe de Jesus Cristo.

A comemoração mais antiga do dia das mães é mitológica e remonta às comemorações do início da primavera na Grécia Antiga, em honra de Reia. Reia por ser mãe de todos os deuses de Olimpo, ficou conhecida como a Mãe dos Deuses. É uma deusa relacionada com a fertilidade, com o nascimento e com a origem.

Em 1858, nos Estados Unidos da América (EUA), a ativista cívica Ann Maria Reeves Jarvis fundou o Mothers Days Works Clubs que tinha como objetivo diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Em 1865 Jarvis organizou o Mother’s Friendship Day para melhorar as condições físicas e psicológicas dos feridos na Guerra da Secessão. Hoje em dia a idealizadora do Dia da Mãe é a filha de Jarvis que quando a sua mãe morreu decidiu organizar uma festa em honra da memória da sua mãe e quis que ela fosse festejada para todas as mães vivas ou mortas. Rapidamente toda a sociedade americana aderiu e gostou da ideia e em 1914 a data passou a ser oficial por decreto presidencial (Woodrow Wilson).

O conceito de ser mãe tem-se vindo a alterar ao longo dos tempos e hoje em dia, é-se mãe através de um vínculo que pode ser biológico ou afetivo.

Na maioria das culturas ocidentais, as figuras a quem a criança se liga afetivamente são a mãe, o pai, os irmãos mais velhos e os avós, (muitas vezes por razões de proximidade) e é entre estas que ela irá selecionar a sua principal figura de vinculação.

Segundo Bowlby, J. (1969*1), o teórico e autor da teoria da vinculação, afirma que a mãe é a primeira figura de vinculação do bebé. A teoria da vinculação explica que mãe e o bebé começam a construir a sua relação desde o nascimento. O reportório do bebé, a sua capacidade de memória, as representações internas, a afetividade e a cognição desenvolvem-se ao mesmo tempo que a relação de vinculação bebé-mãe.

Mas se é assim, como é nos casos de adoção de crianças em que estas não são bebés e não tiveram uma mãe emocionalmente presente? É uma pergunta pertinente e com uma explicação atualmente já fundamentada e estudada cientificamente.

Bowlby também acreditava que o papel da figura principal de vinculação pode ser preenchido por outras pessoas que não a mãe biológica. Investigações de Ainsworth, M. (1970*2) (um estudo empírico sobre a vinculação numa tribo do Ganda) mostraram isso mesmo: desde que uma figura substituta se comporte de um modo maternal com o bebé, este reage da mesma forma que outro bebé reagiria com a mãe biológica. Este comportamento maternal consiste sobretudo em manter uma interação social, afetiva e emocional intensa com a criança, respondendo aos seus sinais e estímulos de forma satisfatória. O que acontece é que para uma mãe adotiva este comportamento materno pode ser mais difícil do que para a mãe biológica, pois, se tivermos em conta que os níveis hormonais subsequentes ao parto e os estímulos provenientes do próprio bebé recém-nascido têm grande importância; as respostas maternas de uma mãe adotiva poderão ser menos intensas e menos sistemáticas do que as de uma mãe biológica.

Neste dia celebrado para todas mães, quero salientar que:

 

“Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino.”

Weber, L. 2008

 

 

*1. Psicanalista/Tavistock Institute

 

*2. Psicóloga/Tavistock Institute