ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.03.02 - 09:27

 

Todos nós, já ouvimos falar de Tarzan, quer seja através de desenhos animados, filmes, livros e músicas, entre outros. Pois é, a personagem de ficção criada pelo escritor Edgar Rice Burroughts apareceu pela primeira vez na revista pulp All-Story Magazine em 1912. Em 1914 foi publicado o livro.

Desde 1912 que, em termos cinematográficos, houve várias versões de filmes do Tarzan, mas quero destacar o filme de animação norte-americano do ano 1999, Tarzan, produzido pela Disney e baseado no romance “Tarzan of the Apes” do escritor Edgar Rice Burroughs.

Tarzan, é o protagonista desta história, um homem órfão que foi criado desde bebé por gorilas.

A história do filme passa-se no século XIX, com um casal de ingleses pais de um bebé que consegue escapar do seu navio em chamas. Com muito custo conseguem chegar a terra, (costa de África), vêem-se obrigados a construir abrigo e a procurar alimento. Ao mesmo tempo na comunidade de gorilas da floresta tropical, um bebé gorila filho da gorila Kala é morto por um leopardo. O tempo vai passando e o casal inglês é morto pelo mesmo leopardo. Kala ao passear na floresta houve um choro de bebé e depara-se com ele. Kala pega nele ao colo e criam-se quase momentaneamente laços afetivos entre ela e o bebé. O leopardo que havia morto o seu filho e o casal de ingleses aparece, tendo lutado com Kala. Esta decide levar o bebé e criá-lo como se fosse o seu próprio filho. Quando chega à sua comunidade, os outros gorilas estranham aquele pequeno e diferente ser, mas não ficam incomodados. O seu companheiro, Kerchak desaprova a atitude de Kala e fica bastante incomodado, sendo incapaz de assumir o bebé como seu filho. Kala põe o nome de Tarzan ao bebé e ele cresce rodeado de gorilas e de outros animais, sem nunca ver outro ser humano.

É no decorrer do crescimento de Tarzan que notamos alguns aspetos curiosos. Tarzan à medida que vai crescendo começa a imitar os seus pares (gorilas), quer na postura física e comportamental, quer nos sons que produz, quer nas atividades que faz. Fica muito admirado ao notar que é tão diferente da sua família e dos seus amigos. Essa diferença faz com que fique muito incomodado, principalmente com as diferenças que vê entre si e a sua mãe. Tarzan cresce sentindo-se por vezes que não pertence àquele lugar e que algo lhe falta, apesar de se sentir amado e estimado.

Quando Tarzan se torna adulto, chega à floresta uma equipa de exploradores ingleses que pretende estudar o comportamento e a vida de gorilas. Nessa equipa estão um professor (Porter) com a filha (Jane) e um caça-guia (Clayton). Várias peripécias se passam, mas Tarzan conhece Jane. Quando se conhecem, apercebe-se que são seres iguais, apesar das diferenças óbvias e fica feliz por finalmente estar a conhecer um mundo totalmente diferente daquele que conhecia e que lhe transmitia sentimentos e afetos que nunca tinha experimentado. Tarzan e Jane vão-se conhecendo e criando uma relação na qual o nosso protagonista vai aprendo e assimilando inúmeras coisas sobre a sua espécie e o modo como vive.

 

É nesta altura que Tarzan pergunta e exige à sua mãe que lhe explique de onde veio e as diferenças que existem entre ambos. Kala lamenta não ter conseguido explicar mais cedo e leva-o ao sítio onde o encontrou.

Várias aventuras acontecem e no final do filme Tarzan decide proteger a sua família: a comunidade de gorilas de Clayton e dos seus capangas. Neste confronto Kerchak pede desculpas a Tarzan por nunca o ter aceitado verdadeiramente como membro da família e pela primeira vez chama-o de filho.

Esta história faz-nos lembrar a Adoção Internacional de crianças. Esta carateriza-se pela deslocação de uma criança do seu país de residência para outro país com vista a ser adotada por pessoas aí residentes. Este tipo de adoção envolve sempre os serviços de adoção desses dois países.

A Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional é o instrumento internacional que regula a cooperação entre os Estados membros com o objetivo de garantir que as adoções internacionais se processem no respeito dos direitos das crianças e de evitar o rapto, a venda e o tráfico de crianças.

A Convenção tem como objetivo assegurar a cooperação das autoridades centrais dos Estados de origem e de acolhimento da criança, as quais devem assegurar nas diversas etapas do processo os direitos da criança, da família biológica e da família adotante. Estes princípios e as salvaguardas da Convenção, também estão contidos na legislação portuguesa reguladora da adoção internacional de crianças.

Na adoção, o que sempre está em causa é o processo de vinculação, que tem como base o amor e o afeto na construção da parentalidade. Em todos os seus cambiantes geográficas e culturais, este processo é a base e condição para a sua realização. Também aqui se poderá falar numa espécie de globalização afetiva, de que já temos exemplos em personalidades famosas, como é o caso da Madona e Angelina Jolie.

O amor e o afeto não têm fronteiras.

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