ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.01.03 - 14:29

 

Philomena é um filme britânico de 2013 realizado por Sthefen Frears, baseado no livro “The lost Child of Philomena Lee” do jornalista Martin Sixsmith que conta a história verídica de Philomena Lee. O filme é uma história dolorosa e emocional que retrata com verdade e bastante exatidão o que aconteceu na Irlanda com a gravidez de adolescentes, e principalmente, o papel da igreja católica nessa altura, os anos cinquenta.

No início do filme, uma jovem irlandesa de seu nome Philomena, engravida em plena adolescência. Rejeitada pelos pais, é por estes mandada para um convento (que era conhecido por receber e esconder da sociedade jovens grávidas) com o seu filho recém-nascido. Em compensação pelo seu “pecado” e de se tornar uma “mulher indigna” é obrigada a trabalhar na lavandaria do convento, podendo ver o seu filho apenas durante uma hora por dia. Passados poucos anos, o seu filho (Anthony) é adotado contra a sua vontade (o que era comum), por um casal norte-americano e Philomena nunca mais teve notícias dele.

Os anos foram passando, Philomena sai do convento, apaixona-se, casa-se e tem uma filha fruto desse casamento. Desde que saiu do convento Philomena teve sempre o seu filho no pensamento e sempre tentou obter notícias dele. Nunca o tendo conseguido, passados 50 anos decide contar a sua história ao jornalista Martin Sixsmith.

Na sua sequência, criam uma relação com um intenso laço de afetividade e cumplicidade entre os dois que os leva a realizar uma inesperada e emocionante viagem em busca da verdade do filho de Philomena.

Ao viajarem pelos Estados Unidos da América, conseguem obter muitas informações sobre a vida do filho Philomena. Descobrem, por exemplo, que Anthony já não estava vivo e que fora um nome importante da estrutura do Partido Republicano e que tivera uma vida feliz com outro homem.

Durante o filme percebe-se que Philomena é uma mulher angustiada, que durante a sua vida tentou sempre reconciliar-se genuinamente consigo própria, com os mandamentos da igreja católica e com Deus. Desde que saíra do convento nunca esquecera do seu filho sendo por isso retratada no filme como uma mulher carinhosa, melancólica e algo triste. Continuou católica e aceitou com naturalidade a sexualidade do seu filho.

Desde os anos cinquenta muita coisa mudou na sociedade. Entre essas mudanças importantes, podemos situar as ocorridas no campo da adoções. Em Portugal concretamente, foram definidas com muita clareza as condições de adoção (década de 90): esta só poderá ocorrer se corresponder ao superior interesse da criança, se houver motivos legítimos, se a adoção trouxer vantagens reais para a criança ou jovem, se não obrigar os outros filhos da pessoa que pretende adotar a sacrifícios injustos, se for razoável supor que o adotante e a criança vão criar entre si laços semelhantes aos que existem entre pais e filhos.

Por outro lado, em Portugal quem pode ser adotado são (década de 90): crianças e jovens; filhos do cônjuge do adotante desde que, à data da entrada do processo em tribunal, tenham menos de 15 anos; ou então, tenham menos de 18 anos se forem filhos do cônjuge do adotante e não tiverem sido emancipados e caso tenham sido confiados aos adotantes, ou a um deles, com menos de 15 anos. A adoção tem lugar através da confiança judicial, expressa na decisão de um processo, que só pode ter início após a Segurança Social considerar que ela pode ocorrer. Em casos excecionais pode acontecer que a Segurança Social, através da modalidade da confiança administrativa, coloque a criança ou o jovem (menos de quinze anos) em ambiente familiar e acolhedor, podendo no futuro vir ou não a ser adotada.