ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.10.03 - 14:57

 

 

Kung Fu Panda é um filme de 2008 que teve uma primeira continuação em 2011 (Kung Fu Panda 2), e uma última (Kung Fu Panda 3) lançada este ano. Os filmes foram produzidos pelos estúdios DreamWorks Animation e distribuídos pelos estúdios Paramount. O filme conta a história de Po, um panda que sonha em ser um grande lutador de kung fu na sua cidade.

Po é protagonista desta história: ele é filho adotivo do Sr. Ping um pato que cozinha e vende macarrão no seu restaurante; é um jovem panda que faz as coisas sem pensar, muito ágil e forte, porém excessivamente gordo que adora comer, muito desastrado, que adora lutar kung fu e tem como sonho poder juntar-se aos seus ídolos – os Cinco Furiosos.

A história do primeiro filme é sobre a escolha que o mestre tartaruga Oogway fez ao escolher Po para ser o Dragão Guerreiro, em vez de ser um dos presumíveis Cinco Furiosos (um quinteto bastante habilidoso e treinado por Shifu – mestre de kung fu), constituído por: a Tigresa, o Louva-a-Deus, o Macaco, a Garça e a Víbora. No começo dos seus treinos, Po mal conseguia realizar um ataque, caía sobre si mesmo, tropeçava e não tinha confiança em si mesmo. Com o decorrer dos treinos com Shifu e com o apoio e amor incondicionais do seu pai (Sr. Ping) ele passou a ser um lutador hábil, astuto ganhando confiança em si mesmo, acreditando que no futuro poderia ser um grande guerreiro. No final deste primeiro filme, Po derrota o seu inimigo e descobre que o seu verdadeiro poder estava dentro dele mesmo: na sua autoconfiança.

 

No segundo filme (dois anos mais tarde de ter realizado o sonho de ser o Dragão Guerreiro e ter ganho novos amigos (os Cinco Furiosos), Po nota que algo de importante e essencial lhe faltava apesar dos seus 30 anos. Sentia-se um panda incompleto apesar de já ter realizado o sonho da sua vida. É no decorrer do segundo filme, que Po, pela primeira vez pede ao seu pai, (Sr. Ping), para lhe contar de onde veio, como cresceu e qual foi a sua origem. O Sr. Ping diz apenas que o encontrou quando era ainda bastante pequeno numa caixa de rabanetes atrás do seu restaurante e o adotou, não podendo dar mais detalhes porque realmente não sabia. Po mais tarde fica a saber os seus pais biológicos sacrificaram-se muito para salvá-lo e que a sua mãe o escondeu numa caixa de rabanetes para ser acolhido e tendo feito isto antes de morrer. Mais tarde, e com muitas aventuras à mistura Po apercebe-se que tinha vivido uma vida feliz, gratificante, cheia de amor e carinho por parte do Sr. Ping, apesar da tragédia que viveu quando era pequeno e conseguindo, finalmente, a paz interior.

 

No terceiro filme, existem novas aventuras e um novo inimigo que Po tem que derrotar. É neste filme, que Po conhece o seu pai biológico – Panda Li e fica a conhecer a sua origem e o seu passado.

Po fica muito feliz e contente por conhecer o seu pai biológico e foi-lhe possível identificar as semelhanças e as diferenças que existiam entre ambos. Tal identificação deu a Po uma grande felicidade interior.

O Sr. Ping ao ver o seu filho tão feliz graças ao Panda Li, fica hesitante e triste, por recear ver o amor que Po lhe dedicava poder agora ser transferido para o seu pai biológico, o Panda Li.

Muitas peripécias acontecem a Po juntamente com os seus pais biológico e adotivo.  Mais tarde, eles têm de ir para a vila secreta dos pandas e é aqui que Po aprende o que é ser panda, algumas das caraterísticas dos pandas e como é a sua vida como espécie.

 

No processo de adoção, quando a criança/jovem sabe que foi adotada, existe sempre a curiosidade em saber o que aconteceu aos seus pais biológicos e o porquê de ter sido adotada. Para responder e acompanhar esta curiosidade, é necessária uma grande sensibilidade, capacidade técnica, envolvendo e articulando, se necessário, com os pais biológicos, por forma a que o sucedido com a criança/jovem possa ser assimilado, sentido sem mágoa, e visto como uma oportunidade.