ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.09.03 - 15:02

 

Martian Child é um filme americano de 2008 realizado por Menno Meyjes, baseado no livro de David Gerrold com o mesmo nome e escrito por John Cusack e Bobby Coleman.

O filme conta a história da construção da relação entre David Gordon, um famoso escritor de ficção cientifica e Dennis, um menino com cerca de 7 anos.

David é um homem viúvo, que ainda sofre com a morte da sua mulher. Vive com o seu cão – Somewhere numa vivenda. Teve uma infância difícil, sentiu-se muitas vezes rejeitado pelos seus pares, o que fez com que se isolasse. Antes de ficar viúvo, David e a mulher estavam a pensar em adotar um menino, isto porque a sua mulher tinha sido adotada e sempre mostrou interesse em fazer o mesmo.

É neste contexto que conhece Dennis, um menino que vive num orfanato, que já passou por algumas casas, que foi negligenciado e abusado emocionalmente pelos pais. Dennis acredita que é de Marte, que está no planeta Terra a fazer uma missão e que quando a acabar os extraterrestres vem-no buscar. É um menino doce que gosta de tirar fotos e com muitas peculiaridades. Ele acredita que o sol faz-lhe mal e por isso quando está na rua põe-se dentro de uma caixa de cartão. Também acredita que a força gravitacional da Terra o puxa para o céu e por isso fez um cinto com pesos para não levantar voo.

Nos primeiros encontros de ambos, Dennis estava dentro da sua caixa de cartão e David levou-lhe uns óculos de sol e um protetor solar. Dennis aceitou de imediato essas prendas e brincaram à bola, sem nunca ter saído da caixa de cartão.

Mais tarde, David leva-o para sua casa e ambos tentam construir uma relação. David espera que neste período a vinculação pais/filhos se organize e dê lugar à filiação.

No início surgem algumas dificuldades: entre elas o facto de Dennis não estar a conseguir fazer amigos na escola, continuar sempre sozinho e chega a fazer pequenos roubos que levaram à sua expulsão.

Muitas peripécias e imprevistos acontecem no filme que acaba com Dennis no topo de um prédio muito alto à espera que os extraterrestres o venham buscar porque ele já acabou a sua missão. David vai ao seu encontro para explicar que os extraterrestres já não precisam de o vir buscar porque ele agora já estava em “casa”.

No nosso país a integração de crianças/bebés na família adotante é feita em conjunto com os técnicos da Instituição em que as crianças/bebés estão acolhidas e as técnicas da Equipa de Adoções (psicólogo a assistente social).

Nesta fase do processo de adoção, feito o contacto inicial entre adotante e adotado é de extrema importância favorecer um encontro de afetos, gostos e expectativas, seguido da partilha de afetos e realidades em que os pais tentam identificar angústias e dificuldades que possam estar a sentir.

Depois deste período inicial, segue-se a consolidação de afetos e realidades e em que as angústias e dificuldades detetadas e sentidas pelos pais, já estarão integradas e geridas de forma minimamente satisfatória.

Segue-se, a integração/inclusão na família adotante. É nesta fase que a criança vai morar para a sua nova casa e tem início o período de pré-adoção, sempre com o apoio e acompanhamento da equipa de adoções.