ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2016.08.01 - 10:50

 

Hoje em dia existem vários modelos de família. Apesar de a família ser uma instituição muito antiga e universal, não é fácil encontrar para ela uma definição completamente consensual.

A família enquanto organismo social é o primeiro agente socializador da criança, pois é a primeira comunidade em que a maioria das crianças quando nasce está inserida. Assim compete á família ser a primeira instância formativa dos filhos. A família preside aos processos fundamentais do desenvolvimento físico e psicológico e à organização da vida afetiva e emocional da criança.

Sendo o ambiente familiar habitual na primeira infância da criança, é aí que ela conhece e experiência as primeiras realidades sociais afetivas e emocionais. Compete também quase exclusivamente à família nesta fase, satisfazer as necessidades materiais e físicas da criança, assim como a satisfação das suas necessidades emocionais de amor, afeto e segurança.

Na construção de uma família com filhos, tornar-se pai ou mãe é algo que vai mudar completamente a dinâmica familiar. Quando as pessoas se tornam mães ou pais vão experienciar novas mudanças e passam a ter para novos papéis e responsabilidades.

Muitos são os fatores que influenciam a construção da maternidade e da paternidade, podendo estes ser biológicos, psicológicos e desenvolvimentais.

Do ponto de vista biológico, a maternidade e a paternidade referem-se à capacidade biológica de ser pai e mãe, isto é, á capacidade de reprodução.

Do ponto de vista psicológico, a maternidade e a paternidade são um processo que transpõe a gravidez e constitui um projeto a longo prazo. Nesta perspetiva estão subjacentes fatores como: a preparação cognitiva para a parentalidade, o ajustamento socio-emocional e relacional, a capacidade de aprendizagem de novos estatutos emocionais e um bom nível de saúde geral e mental.

Do ponto de vista desenvolvimental, as tarefas implicadas em ser mãe e pai estão fortemente associadas ao conceito de maturidade. Contudo é de salientar, que somente o desejo de maternidade e paternidade não nos habilita para sermos pais se o nível de maturidade não for suficiente.

Relativamente á construção de uma família através do processo de adoção, os aspetos psicológicos são de extrema importância.

Todos os casais têm como projeto inicial a sua própria felicidade e o ter filhos, pode ou não fazer parte desse projeto de realização global. Deste modo, ter filhos pode tornar-se um dos aspetos mais relevantes desse projeto inicial. Esse projeto, embora não seja único, auxilia a unificação do casal e pode permitir ainda desenvolver e conciliar níveis mais elevados de realização humana e psicológica.

Quando os casais adotam, há quem defenda que seria desejável que durante todo o processo de espera até á concretização do processo de adoção, o casal pudesse vivenciar essa espera a desejar o seu bebé, imaginando-o, emocionando-se com ele; no fundo, amá-lo.

A adoção pode por vezes trazer algumas frustrações emocionais para os pais adotivos. A ausência de um vínculo genético, de parecenças físicas ou de traços de personalidade semelhantes a si próprios, constituem os sentimentos de perda mais comuns.

Este processo exige uma gestão atenta e compensatória, por forma a que no futuro não haja riscos no processo de adoção e na felicidade do casal e da criança.