ADOÇÃO: Afetos e etapas

por Sara Alves | 2015.10.01 - 19:17

 

Kung Fu Panda é um filme de 2008 que teve uma continuação em 2011 (Kung Fu Panda 2), produzido pelos estúdios DreamWorks Animation e distribuído pelos estúdios Paramount. O filme conta a história de Po, um panda que sonha em ser um grande lutador de kung fu na sua cidade.

Po é o protagonista desta história: ele é filho adotivo do Sr. Ping um pato que cozinha e vende macarrão no seu restaurante; é um jovem panda que faz as coisas sem pensar, muito ágil e forte, porém excessivamente gordo que adora comer, muito desastrado, que adora lutar kung fu e tem como sonho poder juntar-se aos seus ídolos – os Cinco Furiosos.

A história no primeiro filme começa com uma premonição do mestre tartaruga Oogway de que o terrível e temível leopardo Tai Lung (o antigo aprendiz do melhor mestre de kung fu da China – o panda vermelho Shifu) vai fugir da prisão. Com base nesta premonição, Shifu ordena que se dupliquem os guardas da prisão e que a segurança seja reforçada. Enquanto estas diligências são executadas, o mestre tartaruga Oogway convoca uma cerimónia para escolher o Dragão Guerreiro que irá deter Tai Lung, se o mesmo conseguir fugir. Na cidade todos pensam que irá ser um dos Cinco Furiosos (um quinteto bastante habilidoso e treinado por Shifu), constituído por: a Tigresa, o Louva-a-Deus, o Macaco, a Garça e a Víbora. Todavia Oogway escolhe o nosso herói Po. No começo dos seus treinos, Po mal conseguia realizar um ataque, caía sobre si mesmo, tropeçava e não tinha confiança em si mesmo. Com o decorrer dos treinos com Shifu e com o apoio e amor incondicional do seu pai (Sr. Ping) ele passou a ser um lutador hábil, astuto ganhando confiança em si mesmo, acreditando que no futuro poderia ser um grande guerreiro e que conseguiria derrotar o seu inimigo.

No final deste primeiro filme, Po derrota Tai Lung, que conseguira fugir da prisão, e descobre que o seu verdadeiro poder estava dentro dele mesmo – auto-confiança.

No segundo filme (dois anos mais tarde de ter realizado o sonho de ser o Dragão Guerreiro e ter ganho novos amigos – os Cinco Furiosos), Po nota que algo de importante e essencial lhe faltava apesar dos seus 30 anos. Sentia-se um panda incompleto apesar de já ter realizado o sonho da sua vida.

É no decorrer do segundo filme, que temos conhecimento de alguns fatos da sua infância e adolescência e da sua relação com o Sr. Ping

Po, pela primeira vez pede ao seu pai, (Sr. Ping), para lhe contar de onde veio, qual foi a sua origem. O Sr. Ping diz apenas que o encontrou quando era ainda bastante pequeno numa caixa de rabanetes atrás do seu restaurante e o adotou, não podendo dar mais detalhes porque realmente não sabia.

Po rememora parte do seu passado recalcado, descobre a sua verdadeira origem e o que aconteceu aos seus pais biológicos antes de ser adotado pelo Sr. Ping.

Po lembra-se que os seus pais biológicos sacrificaram-se em seu nome para salvá-lo e que a sua mãe o escondeu numa caixa de rabanetes antes de ser morta, para que Po não tivesse o mesmo destino.

Mais tarde, e com muitas aventuras à mistura Po apercebe-se que tinha vivido uma vida feliz, gratificante, cheia de amor e carinho por parte do Sr. Ping, apesar da tragédia que viveu quando era pequeno e conseguindo, finalmente, a paz interior. Quase no final do filme é curioso assinalar que quando um dos personagens (Shen que matou os pais biológicos de Po), lhe pergunta como é que este conseguiu alcançar a felicidade que a sua  paz interior lhe dá, a resposta que obteve foi que as cicatrizes podem curar-se. Que o passado pode ser revisto, analisado, assumido, e transformado em felicidade.

 

No final, Po volta a casa e amorosamente declara ao Sr. Ping que ele é o seu pai. É radiante a felicidade que se estabelece entre Po e ele. Essa felicidade é a energia amorosa que circula entre ambos e, em termos psicológicos, chama-se vinculação. Vinculação esta que à semelhança da filiação natural, embora independente dos laços de sangue, se estabelece legalmente entre duas pessoas passando a ser uma adoção, levada a cabo através de um processo legal de que também falaremos nas crónicas seguintes.