Acabou esta Feira

por Rui Macário | 2014.09.16 - 09:25

E acaba mais uma edição da Feira (chamemos-lhe Feira, Feira Franca ou Feira de S. Mateus)… esta, curiosamente, que não possui uma responsabilidade que lhe possa ser imputada integralmente (é no fundo um retalho de intenções da anterior e da nova administração), não foi uma agressão a ninguém. Apresentou diferenças que potencialmente lhe conferem maior credibilidade nos números de visitantes e na sustentabilidade a prazo mantendo o mesmo de sempre. Comeram-se as farturas, as enguias e o caldo-verde, bebeu-se a ginja, viajou-se num ou noutro carrossel. O programa complementar e o programa musical, calmos quase inertes quando em comparação com outros certames, foram costumeiros…

Então e quando aparentemente teremos (oficialmente) o tal milhão de visitantes ou muito próximo disso, o que faz a Feira valer a pena? Ponto obrigatório de passagem e paragem de políticos em campanha, de migrantes internos e externos no seu turismo ocasional, de locais maldizentes e bem-querentes, na Feira tudo e todos se encontram.

Houve certamente passos em falso nas “novidades” introduzidas, houve igualmente introduções meritórias e pela primeira vez uma estratégia para apresentar a dita. Resultou, parece, esta última, em mais e melhor empatia.

Feitas as contas é dessa empatia que viverá o espírito da Feira, quer se “feire” ou não e num último dizer se afinal é o Património Imaterial que se procura classificar em Viseu (ao invés do Centro Histórico matérico) como Mundial, estude-se a Feira e saiba-se com exatidão o seu percurso e nuances e é nela e por ela que uma região inteira se une ano após ano na deliberação da sua valia e supervivência ritualizada do sermos nós: habitantes da cidade da Feira que tão prestimosa consideramos que lhe escusamos outra designação que a de Feira como se A Feira fosse.

Licenciado em Arte e Património (UCP-Porto) e Pós-Graduado em Arte Contemporânea (UCP-Porto), sendo actualmente Investigador do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) e doutorando em Estudos do Património (UCP-Porto), Desde 2008 é um dos responsáveis pela Projecto Património, tendo assumido funções de coordenação/co-coordenação de vários dos projectos pela mesma assumidos (de que se destacam o Ano Internacional Viseense, a VISEUPÉDIA, o VISTACURTA – Festival de Curtas de Viseu, e o Museu do Falso). Colaborou em, ou integrou projectos de várias entidades a operar no sector cultural (entre outras: Museu do Carro Eléctrico, Museu Grão Vasco, Diocese de Viseu, Arquivo Distrital de Viseu).

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