A VERTICALIDADE DE MIGUEL MACEDO

por José Carreira | 2014.11.17 - 11:20

 

 

Tudo indica que o ex-ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, não está “perdido” no “labirinto” da operação de investigação aos Vistos Gold. A sua competência é confirmada pelos diversos parceiros com os quais se sentava habitualmente à mesa para negociar soluções para o país. Ouvir dirigentes sindicais a elogiar um ministro é raríssimo,  mas foi possível ouvir os representantes de forças de segurança e dos bombeiros a tecer-lhe elogios e, inclusivamente, a lastimar a sua demissão, temendo pelo futuro das organizações que representam.

O primeiro ministro ainda tentou demovê-lo, mas o seu esforço revelou-se infrutífero. Assim reagissem outros ministros que, a meu ver, também já não o deveriam ser. Refiro-me, logicamente, a Nuno Crato e Paula Teixeira da Cruz (apesar do elogio que lhe fiz relativamente a este caso).

É nos momentos difíceis que o carácter e a dignidade se revelam. Miguel Macedo, na sua qualidade de ministro da Administração Interna, considerou que se encontrava diminuído para fazer face às suas obrigações e pediu a demissão. Julgo que tomou a decisão acertada e merece o respeito dos portugueses.

Passos Coelho fica com vários problemas para resolver, a substituição do ministro, a reorganização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a estabilização dos serviços de informação…

Considero que a realização de eleições antecipadas não será positivo para o nosso país, mas com o Governo a desmoronar-se a cada dia que passa, talvez não se encontre melhor alternativa. Este caso parece ser de tal forma grave que poderá não ficar pedra sobre pedra.

Se somarmos à necessidade de substituir Miguel Macedo, a falta de condições evidenciada por Crato e Paula Teixeira da Cruz, somos levados a pensar que talvez o ministério exija um novo Governo e não o contrário.

Para os senhores ministros da educação e da justiça:

“Um ministro, nesta pasta, não pode ter nunca a sua autoridade diminuída.” (Miguel Macedo)

Um ministro, independentemente da pasta que lhe esteja atribuída, não pode ter a sua autoridade diminuída.