A selecção da esperança

por Carlos Cunha | 2016.07.06 - 12:44

 

 

Já todos sabemos que o futebol move paixões e que desperta o lado emocional de quem assiste a um bem disputado e intenso desafio de futebol.

Logo, à hora do jantar, o país vai praticamente parar para assistir ao jogo de Portugal contra Gales e mesmo aqueles que estiverem a trabalhar não deixarão, sempre que possam, de dar uma espreitadela para se informarem do resultado. Este não é apenas mais um jogo, pois, se Portugal ultrapassar os galeses e os enviar para terras de Sua Majestade acede à sua segunda final em campeonatos da Europa.

Ainda nos recordamos bem como foi da primeira vez: foi no dia 4 de julho de 2004, no novo Estádio da Luz e o treinador da seleção nacional era o brasileiro Luiz  Felipe Scolari também conhecido por “Felipão”. A seleção era composta por uma constelação de estrelas como: Rui Costa, Maniche, Nuno Gomes, Fernando Couto, Deco, Ricardo Carvalho, Ricardo… Luís Figo era a principal figura e Cristiano Ronaldo dava os primeiros passos como internacional. Se compararmos 2004 com 2016, e salvaguardadas as devidas diferenças, Ronaldo era o Renato Sanches da altura. Irreverente, dotado de um talento ímpar, só à altura dos predestinados, representava a vontade e o querer de um país.

Em 2004, foi um brasileiro que uniu o povo português à volta da sua seleção e essa crença quase nos levou à vitória não fosse o golo de um longilíneo avançado grego que dava pelo nome de Angelos Charisteas. No entanto, nem a fé de Scolari na Senhora do Caravaggio, nem as bandeiras penduradas nas varandas foram suficientes para que a história desse dia fosse escrita em tons de vermelho e verde.

A maior parte dos comentadores futebolísticos dizem que a seleção de 2016 não empolga nem entusiasma, ou como diria o treinador Jorge Jesus as exibições que faz não são merecedoras de nota artística. Fernando Santos sacode os ombros e diz com o pragmatismo próprio de um engenheiro que no futebol aquilo que conta é o resultado. No fundo, o que ele quer dizer é que, durante muito tempo Portugal, jogou bem, mas nunca logrou alcançar uma grande conquista, ficando-se pelo esteve quase.

Comparando com outras seleções presentes neste campeonato da Europa, Fernando Santos pôs a seleção portuguesa a jogar à alemã, ou seja, privilegia o rigor tático e a coesão do coletivo em detrimento do futebol espetáculo. Deu para empatar todos os jogos, mas também deu para seguir em frente e diga-se que, nos jogos disputados até agora, nenhuma seleção que nos defrontou, neste campeonato, foi superior à nossa.

Esperamos, sinceramente, que Portugal alcance mais uma vitória e dê uma alegria imensa aos milhões de portugueses que por esse Mundo fora vibram com as conquistas da seleção.

Força Portugal! Até à final!

 

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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