A resiliência na Serra da Estrela

por Rui Coutinho | 2014.03.14 - 13:59

Para a maioria da população portuguesa, a Serra da Estrela constitui sempre um espaço a visitar. Ao longo da vida, cada um de nós tem gravado, por certo, as visitas efectuadas ao local na busca de aventura e diversão. A Serra da Estrela para alguns está associada ao queijo das ovelhas que vagueiam nas suas pastagens. A volta a Portugal em bicicleta tem, na etapa da subida à Torre, um dos momentos de maior afluência e decisão.

Durante o período de Novembro a Março, os nevões que fustigam a serra permitem a abertura da estância para a prática de despostos de inverno (sky e snowbord), constituindo assim mais um chamariz para uma visita. Muitos encontram neste local o início de um saudável vício (a prática de desportos de inverno), outros procuram matar saudades de outros espaços, com outras valências, desenferrujando as pernas ou evitando perder “o jeito para a coisa”.

Uma das críticas mais recorrentes sobre este espaço, prende-se com a existência de pistas de pequena extensão e de um parque de estacionamento exíguo, situação que se agudiza quando a afluência sobe de modo vertiginoso durante o fim-de-semana.

Para muitos portugueses, a folia do Carnaval é passada em cortejos e desfiles de norte a sul. No entanto, alguns preferem aproveitar este período para fazerem umas férias de neve, romando essencialmente para Espanha e Andorra, mas outros procuram, e bem, a Serra da Estrela.

No caso de estarem particularmente atentos aos boletins meteorológicos, constatam que, após a ocorrência de cada nevão, a estrada de acesso à Torre fica cortada, o que não deixa de causar enorme perplexidade, em face do potencial turístico que se esbanja. Em outros locais, como seja Béjar (La Cotavilla) ou Andorra, as estradas não estão sempre transitáveis? Estão. Não existem meios de limpeza das estradas na serra? Provavelmente, sim. Estarão todos operacionais? Talvez não.

Um destes dias, de pleno sol radiante, um número significativo de visitantes acumulava-se pouco acima do Sabugueiro, ávidos para desfrutar da neve. No entanto, tal não lhes foi possível, uma vez que estiveram retidos desde as 9h até às 14 h porque a estrada estava a ser desimpedida.

Num recente estudo sobre o nível de riqueza das diferentes regiões da Europa, a Serra da Estrela classificava-se como uma das mais pobres. A manterem este tipo de posturas e de inércia, acredito que dificilmente conseguirão cativar assíduos clientes dos diferentes espaços já existentes.

A Serra da Estrela encontra-se rodeada de um conjunto de instituições do ensino superior que por certo, e se assim houver vontade, saberão desenvolver e arquitectar estudos e estratégias para uma melhor utilização e rentabilização económica dos diferentes locais, tendo em atenção o meio envolvente. Assim, não vamos lá. Da inércia, talvez seja necessário passarmos para a resiliência, acompanhada de plasticidade. Não serão estas propriedades que a muitos fazem falta?

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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