A questão Ucraniana – A fragilidade dos “bons da fita”

por José Eduardo Feio | 2014.03.06 - 11:29

A Ucrânia é hoje um país dividido em duas partes. Provavelmente este “é hoje” não se enquadra bem visto que estas divisões não surgiram do nada, sempre lá estiveram mas agora deram lugar a conflitos fortemente mediatizados. Quando existem conflitos fortemente mediatizados (sem os media tudo seria diferente como é obvio) surgem sempre movimentações diplomáticas de vários tipos. Neste caso o que se verificou foi simples: a Rússia tomou a decisão de invadir a parte do território Ucraniano a ela mais ligada, quer historicamente quer culturalmente. Esperou que os jogos de inverno acabassem e fê-lo sem dar explicações a ninguém. Estas acções representam uma violação grave, propositada e premeditada da carta das Nações Unidas. Representam uma violação da soberania de um país e um incentivo inequívoco ao aumento das c armadas num pais em crise e eminente colapso. E então o que é feito dos bons da fita? Aqueles países que se consideram o modelo de democracia, o modelo de direitos humanos a seguir? Multiplicaram-se em respostas diplomáticas. Entrevistas para aqui e para ali. Todos dizem: “Isto é inaceitável!”, “Isto não pode acontecer!”, “É intolerável o que se passa!”. É tão intolerável que na prática ainda ninguém fez nada efectivamente e todos os dias me convenço mais que ninguém irá fazer. Esta ideia feita de que ser os “bons da fita” significa que não nos podemos chatear a sério com ninguém é uma das maiores aberrações dos nossos dias. Os argumentos são muitos: não vamos actuar se não vamos piorar a situação, não vamos actuar porque se não vamos ter represálias, vamos tentar resolver tudo com calma e com paciência. Não se pode ter calma e paciência em situações destas. Claro que todas as possibilidades têm que ser bem avaliadas e deve-se evitar ao máximo invasões militares. Mas situações como estas, em que há uma clara violação dos direitos de uma nação de uma forma claramente premeditada não podem escapar sem reais represálias e sem claras acções das potências mundiais que dizem defender estes direitos. É por estas e por outras que países como a Rússia continuam a achar que podem fazer o que quiserem, e a verdade é que podem. Chega de pretender que defendemos valores como a soberania dos estados, o respeito pelos direitos humanos e não agirmos em conformidade. Está na hora de pormos as nossas acções ao nível das nossas palavras. #Ukraine