A preparação das eleições na silly season

por Carlos Cunha | 2015.07.12 - 12:03

 

 

A silly season, que agora começou, está a ser fértil em matéria política por causa das eleições legislativas que se aproximam.

A habitual pasmaceira, que marca o início do verão, está a dar lugar a renhidas disputas internas pelos lugares cimeiros das listas de candidatos a deputados à Assembleia da República. Estamos, portanto, quase a conhecer os resultados, mas como diz e bem o povo na sua imensa sabedoria até ao lavar dos cestos é vindima, por isso, pode ser que ainda surja alguma surpresa de última hora no horizonte. Julho promete animação até ao final.

A primeira surpresa surgiu das hostes socialistas, cuja liderança local atirou para as calendas as famigeradas eleições primárias, optando antes pelo cozinhado político à moda antiga. Assim, o cabeça de cartaz foi selecionado pela Federação Nacional, cabendo às estruturas locais encontrar os restantes elementos da lista. Sendo os interessados em abundância e os lugares disponíveis em míngua nem todos ficarão acomodados, prevendo-se, após a constituição da lista, os habituais festejos e amuos. A ver vamos, portanto, quantos apaniguados seus conseguirá colocar António Borges, líder da Federação Distrital Socialista, em lugares elegíveis confirmando-se ou não o tão propalado afastamento de alguns consagrados. Prevendo vida difícil, após a eleição de António Costa como secretário-geral, Miguel Ginestal antecipou-se, fazendo-se à vida, estando agora como consultor da Apifarma, retardando, quem sabe se por motivos de alergia, o seu regresso ao ensino e a S. Pedro do Sul onde tem o lugar à espera.

Para já no PS a surpresa é a nomeação de Maria Manuel Leitão Marques, como cabeça de lista por Viseu. Esta independente foi a coordenadora da Agenda para a Década, é Professora Catedrática da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigadora do Centro de Estudos Sociais da mesma instituição, tendo desempenhado o cargo de Secretária de Estado da Modernização Administrativa, do último governo PS liderado por José Sócrates, que Costa tenta, a todo o custo, apagar da memória coletiva, sendo então responsável pela modernização administrativa. Apesar de todo o vasto currículo académico e da experiência governativa, estou certo de que será aos olhos da maioria dos eleitores do Distrito uma ilustre desconhecida.

A coligação Portugal à Frente também já vai mexendo, perspetivando-se que a mesma seja encabeçada, em Viseu, pelo atual Secretário de Estado dos Transportes, o mangualdense Sérgio Monteiro, mas caso a mesma venha a ser liderada pela atual Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que lugar ficará reservado para Hélder Amaral?

Quem já está afastada de todo este stress pré-eleitoral, é Maria Ester Vargas a quem o partido, magnânimo, já assegurou, por alguns anos, o futuro, assentando armas e bagagens, em Berna, na embaixada de Portugal e quando as saudades do país natal falarem mais alto poderá sempre mitigá-las com uns saborosos quadradinhos do afamado e delicioso chocolate suíço, que compensa o bem que sabe pelos danos que lhe possa causar na linha.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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