À Portuguesa

por Luís Ferreira | 2014.11.25 - 18:20

 

Todas as mais recentes gerações conhecem o ambiente europeu intrincado, desde que nasceram. Já nos corre no sangue a informação de que não será uma vida fácil e ideal. E, como se não bastasse, à medida que nos aproximamos dessa utopia, mais obstáculos sucedem.

Um dos problemas atuais que mais me revolta é referente à mão de obra barata e elementar a que a nação tem aberto as portas. Sabemos, praticamente por cultura geral, que a mão-de-obra dos países de leste, facilmente encontrada, é exercida a um custo insignificante e quase inatingível. Contudo, não é por falta de investimento que o nosso país regride. A uma análise mais profunda facilmente descobrimos investimentos em fraudes e corrupções, ou no jogo cíclico viciante de muitos subsidiados. Mas na verdade, nem sempre os investimentos nacionais são para o uso indevido e ineficiente. Bom exemplo disso é o caso dos casais mais jovens, que verbalmente incentivados à natalidade, tentam tudo para o melhor dos descendentes e da sua aprendizagem.

Eu fui um dos três provenientes da campanha produtiva do Dr. Jaime e da Professora Margarida. Aderiram bem à campanha de natalidade! Mas, à medida que os anos passam, vão vendo os seus investimentos a aumentar.  E, num cálculo rápido e minimamente preciso, concluo que, ao longo de uma vida, eles invistam mais de 50.000 euros, somente na instrução dos filhos. Tanto investimento, tanto sacrifício, tanta austeridade, tanto nacionalismo, para que no final, a nação em nada usufrua desta especialidade. A mão-de-obra bem formada e detalhada é, assim, em praticamente tudo, incentivada a intervir no estrangeiro.

Não obstante, sinto-me um sortudo por poder usufruir de um ensino público de qualidade. Contudo, aguardo por uma intervenção política e democrática nesta área. Aguardo por um reconhecer das nossas qualidades e ações, por um acreditar nas nossas capacidades construtivas e inovadoras. Se ao menos os sindicatos ou os media se lembrassem de nós e não apenas dos maus modelos…

Portugal gosta de casos mediáticos que deem que falar. Contudo, é importante lembrar que Portugal é mais do que Sócrates! Portugal é mais que desemprego e corrupção! Nós, jovens, também somos Portugal. Não se esqueçam, por favor: Portugal tem benfeitorias além de tanto mal…

Luís Ferreira é natural de Ferreirim, Sernancelhe, tem 17 anos e é estudante de Economia.

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