A pomada

por Eme João | 2015.03.05 - 12:02

Não há nada como estar de férias. Até conseguimos arranjar tempo para tratar das tendinites, lesões musculares, enfim uma dor terrível no braço. Não estou a ser piegas, mas também não é sobre isso que vou escrever.

O que realmente é bom nisto tudo, é poder ir perder um bocado da tarde e ir até à farmácia aqui da zona onde o atendimento é tão rápido, que quase deu tempo para elaborar este pequeno texto.

Enquanto esperava a minha vez, entretinha-me a observar os clientes que estavam a ser atendidos e deslizava o olhar pelas prateleiras a tentar descobrir uma pomada ou qualquer poção mágica, para o meu pobre braço.

Mas, eis que um dos clientes finaliza a sua compra, e sai do estabelecimento com as suas muitas caixinhas de medicamento nas mãos. Tentanto ter mãos para tanta caixa. Foi então que vendo a desgraça do jovem, percebi que também me ia acontecer algo parecido. Tinha-me esquecido do maravilhoso saco de plástico.

Felizmente, só ia levar uma pomada e uns comprimidos. Portanto, duas caixas. Lá me acalmei. Afinal tinha duas mãos não precisava do saco.

Chegou a minha vez e lá vou eu de caixinhas na mão a caminho de casa. Pelo caminho, resolvo entrar noutra loja aqui da zona para ver se havia alguma coisita onde gastar uns trocos. Resolvo comprar duas ou três coisas, daquelas que realmente não fazem falta. Quando ia pagar, a senhora faz a conta e reparo que o valor não coincidia com os preços marcados. Mas a senhora sorridente esclarece-me que estava tudo à venda por metade do preço.  Olha que bom, pensei e lá fui buscar mais umas coisas que por acaso até me faziam falta.

No fim das compras, disse à senhora: vou precisar de um saco se faz favor. Aí o sorriso deu lugar a um ar de quase pânico. Não fosse eu gritar de imediato, ” eu pago o saco”, acho que alguma coisa grave acontecia.

Depois desta emocionante aventura, e continuando as minhas férias, pensando que a pausa nas rotinas me levava para longe da loucura que nos invade diariamente, ligo a tv na esperança, na ilusão de assistir a qualquer coisa diferente.

Percebo então, que temos um primeiro ministro que não sabia que as contribuições para a segurança social eram obrigatórias. Vejo um ex-dirigente desportivo e também elemento da policia judiciária a ser detido por andar a assaltar casas de velhinhas. Vejo o edifício onde trabalho, ser inundado de polícia judiciária e prenderem dois elementos que lá trabalham, supostamente por corrupção.

Acho que a pomada que coloquei no braço, tem qualquer coisa…..

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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