A Nation of Pussys?

por Alexandre Borges | 2016.11.08 - 13:50

 

 

Hoje vota-se na República Federal dos Estados Unidos da América para escolher o seu Presidente e a escolha é feita entre quatro candidatos.

Além dos muito mediáticos candidatos do Partido Democrata e Republicano, Hillary Clinton e Donald Trump temos ainda Jill Stein dos Verdes e Gary Johnston do Partido Libertário.

Caída na armadilha do bipartidismo, na América a escolha será afunilada entr e “dois males”, um maior e outro menor, dizem os comentadores mais informados, quase todos torcendo para que Trump não transforme a Casa Branca em mais uma das suas torres espelhadas e que tenha a tentação de agarrar-nos a todos “by the pussy” para que, como Freud nos explicou, ninguém ponha em causa os seus “big balls”.

Nada me entusiasma nesta eleição. Desde que os democratas preferiram Clinton a Sanders, que todo o sentimento se esvaiu. Trump é um fenómeno da orwelização da sociedade ocidental para o qual contribuiu. A relevância que já ganhou, potenciará esse voyeurismo ou levará, pela náusea, exactamente ao contrário.

O que noto, talvez erradamente, que foi a via bipartidária, refém de interesses económicos e capaz de mediaticamente impingir o que quer que seja (Kaney West já manifestou que será candidato à Presidência em eleições futuras), o que em Portugal nos habituamos a ouvir mascarado de “voto útil” manifestada numa alternância sazonal e assegurada entre dois grupos, que nos levou até aqui. Foi ela que nos forneceu a escolha entre um aparentemente louco, misógino, mitómano, xenófobo, também com uma curiosa particularidade pilosa (não no bigode) e uma refém de interesses económicos pouco interessados nas pessoas e na estabilidade do mundo em que vivemos. Nos por cá, à nossa dimensão, já tivemos de fazer escolhas do género.

 

Natural de Canas de Senhorim. Licenciado em geologia pela UC. Virulentamente bombeiro. Gosta de discussões cordiais, de vaguear pelo mundo munido de auscultadores.

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