A indução ao medo

por Eme João | 2015.10.13 - 12:40

Agora todos os dias temos em todos os noticiários, debates e afins, aulas de aritmética. Tudo isto a propósito das últimas eleições legislativas.

Temos também a indução ao medo. Medo da mudança, medo da alternativa, medo de quase tudo, despejado a toda hora pelos arautos da desgraça servidores do velho sistema.

Numa democracia, não há coligações contra-natura, a tradição não é lei. Não se elegem primeiros-ministros. Elegem-se deputados que formaram as diversas bancadas parlamentares que constituem a Assembleia da República.

Sabemos que houve uma coligação que ganhou sem maioria absoluta e muitos dos arautos da desgraça acérrimos defensores desta coligação, tiram logo a brilhante conclusão que os eleitores que nela votaram expressaram o seu voto dizendo: “ vocês governam de novo, mas sem maioria absoluta…”.

Bem não me parece, que os eleitores antes de colocar a cruzinha onde quer que seja, tenham este tipo de pensamento. Se vão votar seja em que partido for, é porque querem que esse partido ganhe ou que tenham expressão parlamentar.

Não conheço ninguém tão idiota que vá votar e diga, “ eu voto neste partido, mas é só para não terem um bom resultado…”.

Aliás, só com uma onda telepática, os leitores da coligação, podiam realmente dizer votamos em vós mas não vos damos maioria absoluta.

Perante este cenário, o PS, CDU e BE, unem-se na elaboração de uma alternativa de governação, tão democrática e legitima como qualquer outra.

Embora não possamos adivinhar o que vai acontecer, visto o PS ainda ter que dialogar com a coligação, tudo aponta para que esta união de toda a esquerda parlamentar, vá efectivamente formar governo.

No entanto, até é possível que o anterior primeiro-ministro venha a ser indigitado e o seu programa de governo não passe na Assembleia.

António Costa referiu várias vezes que não faria uma “maioria negativa”, ou seja não aprovaria uma moção de censura ao futuro governo sem ter uma verdadeira alternativa de governo e fez-se história na democracia portuguesa, com a união da esquerda.

Quem participou activamente na campanha, sabe bem que no pensamento do povo, não estava a vontade de ver novamente a continuação de “mais do mesmo” embora com uma maioria relativa.

O que se ouvia por todo o lado, todos os dias era: “ unam-se, a esquerda tem que se unir e tirar estes tipos de lá.” E o povo é soberano por isso cumpra-se a sua vontade.

 

 

 

Nasceu em Lisboa em 31/10/1966. Estudou psicologia no Ispa. Trabalha actualmente no ISS.

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