A felicidade alcança-se com muito humor…

por Amélia Santos | 2014.07.22 - 21:49

 

Em plena adolescência da idade adulta, com a rebeldia à flor da pele e sem travões no pensamento crítico, sinto-me já à vontade para dizer coisas polémicas e assumir ideias menos ortodoxas… Assim, sou capaz de dizer com alguma convicção que o mundo está dividido em dois grandes grupos: os que têm sentido de humor e os que são desprovidos dele. Eu, na linha da minha irreverência adolescente, afirmo com ousadia que me insiro no primeiro grupo, ou pelo menos é esse que me identifica e me deslumbra no relacionamento com as mais diferentes pessoas…

À medida que os anos vão passando e nós vamos somando experiências e vivências, há coisas que vão perdendo a importância e outras que a vão ganhando, mais e mais… O sentido de humor tem hoje na minha vida um destaque muito especial. Sobrepõe-se a outras características que, noutras fases, eram o centro das nossas atenções e «pre-ocupações», sobretudo naquilo que nos cativava nos outros…

A capacidade de rir e de fazer rir é aquela que mais cobiço nas pessoas que conheço e que são portadoras desse dom… Representa uma espontaneidade e uma alegria que se transmitem e dispõem bem. Simboliza pessoas que gostam de viver, sem pedir muito em troca. Em suma, personifica, para mim, (mais uma frase bombástica!) a felicidade.

Mas, não desanimem os mais pessimistas, porque o sentido de humor também se aprende e conquista. Evitem as pessoas que levam a vida demasiado a sério. Os racionais. Os imensamente convencionais. Os que tendem a ser insuportavelmente objetivos em tudo. Em suma, os que são capazes de afirmar coisas como: “Eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas”. Optem por aqueles que dizem: “Eu adoro enganar-me”, como há pouco ouvi da boca da escritora Luísa Costa Gomes. Usem a ironia, como meio de descontrair e de crescimento. Escolham rodear-se dos mais simples no trato e emocionais na alma. São os que admiram a lua cheia, os que gostam de trocar ideias e veem o mundo com um brilho multicolor. A esses “as razões que a própria razão desconhece” fazem naturalmente parte da sua vida e permitem-se viver nas nuvens algumas vezes… não temem as palavas e usam-nas também para brincar.

O expoente máximo deste talento é aquele que dota o portador da capacidade de rir de si próprio, das suas fraquezas, incapacidades e fragilidades. Esta aptidão é sinónimo de grandeza e maturidade. Ajuda a superar complexos, a aplacar sofrimento, e a sublimar aquilo que nos destrói ou pode destruir.

Lembro com um carinho imenso que, no início da minha carreira docente (que mais será uma carreira doente…) tinha uma turma de 10º ano, onde estavam dois alunos angolanos, os únicos negros da turma e os melhores alunos de entre todos. Eram eles que brincavam com as idiossincrasias da sua cultura e contavam anedotas de pretos, que desencadeavam em mim um rubor de desconforto e atrapalhação por me rir delas. Eram meninos excecionais, que brincavam com aquelas que podiam ser as suas fragilidades. Todos sem exceção os admiravam!

Hoje não sei o que foi feito desses meninos, que vida têm, nem as suas profissões. Porém, desconfio que seja onde, e como, for, sejam homens que fazem felizes todos os que têm a sorte de com eles privar…

 

 

Licenciatura em Estudos Portugueses pela FLUL (1996) Pós Graduação em Museologia pela FLUP (2008) Mestrado em Ensino do Espanhol pela UBI (2011)

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