A Europa é um retalho roto

por Paulo Neto | 2015.09.28 - 22:39

 

 

Tudo está a acontecer muito rapidamente nesta Europa unida…

A forma como os gregos foram encostados à parede pode ter sido o primeiro passo de uma corrida curta. Foi apagado esse fogo, mas não completamente extinto.

De seguida, ainda estralejava no ar o foguetório, os refugiados trouxeram mais um problema com que a Europa não sabe lidar e onde os líderes têm distintas opiniões — e pouco humanitárias — sobre a crise em questão.

Ainda estão a decidir o que fazer, rebenta o escândalo VW, Audi, Skoda, Seat… a mostrar que a modelar Alemanha manda olhar “para o que eu digo, não para o que eu faço” e a provar que vive avidamente obcecada pelo lucro fácil, nem que para o obter tenha de contribuir definitivamente para o desequilíbrio e decrescimento sustentável do planeta.

Não refeitos dessa surpresa, cai-nos em cima a possibilidade da autonomia catalã.

Ou seja, muita coisa está a acontecer a um ritmo tão vertiginoso que nem sequer temos a capacidade de percepcionar o que virá a seguir, uma coisa sendo certa… a manta de retalhos tecida pelo centro-direita europeu, a “malta da massa”, deixou de passar a mensagem do “paraíso mora aqui” e começa a ser questionada aqui e além com maior sistematicidade do que um acontecimento episódico e desgarrado, esgaçando o tecido puído que a constitui e provando que os maestros sínfonos e servis do grande capital, tipo Barroso, podem ter pela frente uma tarefa de cerzidores muito complicada para evitar ficarem apenas com as pontas na mão.

A Europa de uma obsessão económica centrada nos grandes lucros dos mercados está a evidenciar que o descuramento da Europa política e social, celestial perspectiva que durante décadas tentaram passar, é um estrondoso insucesso e um calamitoso falhanço.

Em 2016 faz 3 décadas da adesão de Portugal e Espanha à UE. E se fosse o ano do fim da miragem ibérica?