A escolha do programa

por Rui Coutinho | 2015.10.12 - 13:12

 

 

Concluído mais um acto eleitoral que não conferiu a nenhuma força política as condições para formar governo, inicia-se agora uma multiplicidade de reuniões e manifestos de vontade para a sua futura constituição. Por parte da coligação, o possível acordo recairá forçosamente junto do PS, com as inevitáveis cedências que ambas as partes terão de fazer, cuidando cada uma de não se sentir acossada nas concessões outorgadas. No espectro da esquerda, a CDU e o BE já manifestaram amplo interesse em se coligarem com o PS para esse desígnio nacional. Assim, António Costa, embora tenha perdido as eleições, aparece como um putativo vencedor e tem neste momento a derradeira possibilidade de fazer um golpe de asa e abrigar-se dos pingos de chuva que possivelmente o irão assolar, não só a nível interno (partido), como a nível nacional. O que passa agora a estar em cima da mesa, e numa modesta e sofrível análise, é a escolha de um programa de governo de caris neo-liberal/social-democrata ou um de pendor social-democrata com laivos marcantes de esquerda. Nesta fase importa, saber o que cada um pretende, o que está disposto a ceder, em que moldes e, de uma forma muito criteriosa, os efeitos económicos e sociais das escolhas apresentadas para o presente e quiçá no futuro.

Se a escolha do futuro programa governamental é de suma importância para todos nós, o mesmo se verifica com um dos electrodomésticos de uso regular e indispensável nas nossas casas. Refiro-me à máquina de lavar a louça. Esse imprescindível e precioso equipamento que muito veio ajudar na cozinha e que está por vezes envolto em alguns mitos sobre o seu funcionamento, limpeza e desinfecção. Qualquer equipamento que contacta com alimentos necessita de ser constantemente limpo e desinfectado. Isto é uma regra básica que muitos desconhecem. A temperatura atingida entre os 50 e os 80ºC permite alcançar alguns destes preceitos, mas é necessário um cuidado periódico com a sua manutenção (ex: a limpeza de filtros, borrachas e lavagens em vazio). A escolha do detergente/abrilhantador a utilizar é também crucial. Um dos princípios que se devem e podem ser adoptados para melhorar o seu desempenho, longevidade e garante da segurança alimentar, é a prévia passagem por água/detergente da louça e utensílios na circunstância de uma utilização não diária. Os restos de alimentos que se acumulam nos filtros são uma fonte de contaminação permanente a que se juntam as incrustações secas após a lavagem. Existem perigos associados a este equipamento? Se muitas destas medidas agora narradas forem adoptadas, a sua probabilidade é mais reduzida, mas os fungos patogénicos estão aí presentes. Existem fungos (Exophiala dermatitidis e E. phaemuriformis) que são resistentes a temperaturas entre os 60 e os 80ºC, a elevadas concentrações salinas e a potentes detergentes. Por norma, a sua presença é possível de detectar nas borrachas através de pontuações negras que aí aparecem.

A disposição da louça é outro dos aspectos fundamentais para melhorar a sua eficiência. A louça mais suja deve ficar na parte inferior e, embora não seja possível, a disposição hipotética acompanharia de modo mais correcto o movimento da saída de água para uma correcta lavagem e enxaguamento.

Tendo por base os novos conceitos da confecção a baixas temperaturas, agora tão em voga, foram já desenvolvidos com sucesso vários estudos para a utilização desta máquina com o propósito de confeccionar alimentos. A premissa a respeitar neste caso é a utilização de embalagens estanques e herméticas e não serem possíveis de alteração pelo calor.

À semelhança do que se passa com a máquina de lavar louça, que denota um erro crasso e regular que se resume a ser atestada com tudo, independentemente do seu estado, para evitar trabalhos adicionais, provavelmente também aqui chegamos acreditando que existiria sempre uma máquina capaz de limpar as gritantes asneiras que muitos foram cometendo e acumulando já há muito tempo.

Em ambas as situações, é necessário o domínio dos programas e das boas práticas de funcionamento para se obter os fins desejados.

Que se escolha um programa concreto, mensurável e possível de aplicar após uma ponderada e cuidada reflecção.

Não são estes os preceitos de uma escolha?

 

 

 

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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