A “cumplicidade” da Assembleia Municipal…

por PN | 2019.07.25 - 18:45

“As palavras são instrumentos que cada um de nós tem a liberdade de aplicar ao uso que desejar, desde que explique as suas intenções.”

(Claude Lévi-Strauss)

Quando os actos são mal explicados – talvez por ser impossível explicá-los com clareza – gera-se sempre uma ambiguidade permissiva à mais ampla e legítima conjectura.

É o que acontece com algumas posições tomadas por este executivo camarário, arrimado numa arrogância do “posso quero e mando”, contando sempre com a aprovação de todas as propostas – boas ou más e mais más que boas – que vai apresentando na Assembleia Municipal.

Este executivo terá o ónus directo dos “disparates” que faz, mas a Assembleia Municipal, onde maioritariamente impera, ao ratificar ou validar essas propostas, é das suas consequências presentes e futuras conivente, funcionando a mais das vezes esteiada no clubismo partidário e raramente em função da sensata ponderação daquilo que é melhor para Viseu e para os seus munícipes.

Isto, claro está, com a “patriarcal” bênção do presidente deste órgão, de quem pouco já se espera senão a anuência acrítica a quanto lhe é posto diante, pelo “acarinhado” presidente do município.

Por outro lado – e já vimos isso na Viseu Marca e na polémica invocada falta de total clareza de suas Contas – há análoga “zona de sombra” em decisões aprovadas que podem vir a empenhar/prejudicar os munícipes por 3 gerações – sim, 30 anos! – e talvez assim sombriamente se revestindo com vista a uma expugnabilidade, em termos da mais lata compreensão de todos os contornos.

O caso dos silos auto e a sua “alienação” a uma multinacional espanhola (a Saba, SA), poderá disso ser um bom exemplo.

Ademais, sempre que Almeida Henriques se sente instado a dar aclarações sobre este inexplicável negócio, de cada vez diz distinta coisa, embrulhando -se numa retórica assaz bizarra. O que, convenhamos, não tende a dissipar dúvidas, antes as aumentando, e deixando a pairar um clima mal suportável de eventual desalinho processual, no formato aparentemente confuso como se configuram estes 30 anos que aí vêm, durante os quais, parte da cidade é “vendida” aos espanhóis.

Mal-empregado 1º de dezembro de 1640…

Paulo Neto