A coligação PSD/CDS-PP

por Carlos Cunha | 2015.05.11 - 10:09

 

 

Está firmado o acordo de coligação entre o PSD e o CDS-PP para as eleições legislativas.

Muitos aguardavam esperançosos este desiderato outros talvez nem por isso.

Surpresa geral só mesmo a data em que o acordo foi celebrado e dado a conhecer a todos os portugueses. As cúpulas lá sabem os motivos que os levaram a optar pela escolha da data do anúncio. Tenho para mim, ainda que um pouco tardiamente, faria muito mais sentido que o acordo fosse firmado e dado a conhecer no dia 17 de maio, data que assinala o fim do Memorando e a saída da Troika de Portugal. Esta é, sem dúvida, a data mais marcante desta legislatura política.

Todos os sacrifícios, e não foram poucos, tiveram como grande objetivo alcançar uma saída limpa, ou seja, sem um programa cautelar, que permitisse a Portugal conquistar a confiança dos credores, voltando, deste modo, a adquirir a capacidade para se financiar em diferentes prazos de maturidade e a taxas aceitáveis nos mercados.

Sejamos claros e tenhamos memória, por isso, não nos devemos esquecer que os socialistas deixaram o país na bancarrota. Assim, se recuarmos no tempo até junho de 2011, todos nos lembramos que o dinheiro para pagar ordenados da função pública e pensões estava quase esgotado e não havia ninguém que nos quisesse financiar. Ainda se devem recordar, tão bem ou melhor do que eu, dos périplos que o agora inquilino quarenta e quatro do Estabelecimento Prisional de Évora fez por vários pontos do globo e as sucessivas “negas” que de todos levou.

Porém, também temos de admitir que os portugueses mais desfavorecidos, os pensionistas e a classe média foram aqueles que mais sentiram na pele os efeitos da perda do poder de compra e serão certamente aqueles que a Coligação terá mais dificuldade em convencer. Também aqui não podemos esquecer de onde partimos quando em 2011 este governo tomou posse.

Neste anos de defeso que passou na oposição, o PS não mudou assim tanto como pretende transparecer. Muitos dos socialistas, agora convertidos em fervorosos apoiantes de António Costa, quais cristãos novos, tiveram responsabilidades governativas na era de Sócrates, no entanto, esperam agora que os portugueses, na hora da votação, branqueiem essa “contrariedade do passado” e lhes concedam novo crédito de confiança.

Veja-se o que aconteceu em França com a onda de euforia que a eleição de François Hollande provocou no PS, mas que com o andar da carruagem se foi desvanecendo para dar lugar à desilusão generalizada.

A biografia de Passos Coelho “Somos o que escolhemos ser” ao referir a passagem como Paulo Portas apresentou a sua demissão do governo não deixou de causar algum embaraço nas hostes centristas. As reações a este facto foram de desvalorização, procurando não alimentar um assunto em que todos ficaram mal na fotografia, ou se preferirmos citar o Diácono Remédios podemos dizer que não havia necessidade.

Carlos Cunha é militante do CDS-PP de Viseu e deputado na Assembleia Municipal. Licenciado em Português/Francês pela Escola Superior de Educação de Viseu concluiu, em 2002, a sua Pós Graduação em Educação Especial no pólo de Viseu da Universidade Católica Portuguesa.

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