A Coligação e o discurso do medo

por Manuel Ferreira | 2015.07.27 - 17:13

 

Tem sido uma tristeza ouvir o discurso político adotado pela coligação PSD e CDS-PP a propósito das próximas eleições legislativas.

Um discurso pobre, demagógico, baseado no medo, na chantagem e nas ameaças. Um discurso contraproducente com o espírito democrático e com o livre exercício argumentativo que deve suportar a prática politica.

É verdade que, na história, este tipo de discurso tem tido força e tem suportado vitórias eleitorais. Contudo, a população tem de estar atenta e não se deixar manipular por manobras dilatórias.

O tenebroso passado, a desgraça, a bancarrota, a dívida, a vinda da ‘troika’, o resgate, não é o que está em cima da mesa nas próximas eleições. Eventualmente, por esses fatores, o PS já foi julgado nas últimas eleições legislativas e foi penalizado.

O que agora está em causa é a avaliação da ação deste Governo de coligação durante os últimos quatro anos. É este o balanço que os eleitores devem fazer. E, quanto a isto, muito pouco a coligação tem apresentado.

Para merecer o crédito, a confiança do eleitor chegará relembrar o que fizeram, afirmar que se conseguiu uma saída limpa, que se cumpriu com as diretrizes da ‘troika’, que ficámos bem? Alguém fica motivado quando se lhe oferece apenas prudência e reservas? Alguém fica tranquilo sabendo que a atual coligação se candidata a novo mandato tendo como ativo a sua governação passada?

É que estamos a reportar-nos à governação dos cortes dos salários e das pensões, dos ataques ao estado social, da austeridade, do desemprego, do aumento de impostos, da espiral recessiva. Afinal, o que há de tão fabuloso e que pode justificar a manutenção desta governação? O que o Governo tem mostrado aos portugueses é que tem pouco para lhes oferecer, a não ser o seu olhar de passado e a propaganda da estabilidade e da normalidade. Elementos que consideramos insuficientes para quem ambiciona voltar a ser poder e a governar.

Esta coligação não apresenta aquilo que é uma marca essencial da política, que é um horizonte de esperança, de otimismo, de confiança, de sonho e de utopia. Para esta coligação, não há futuro.

 

Manuel Ferreira tem 49 anos e nasceu em Lamego. Casado, dois filhos. É licenciado em Filosofia pela Universidade de Letras do Porto. Possui a Especialização em Administração e Gestão Escolar e é Mestre em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa. Militante socialista desde 1996, foi membro da Assembleia Municipal de Lamego entre 1997 e 2001 e Secretário do Gabinete de apoio do pessoal do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego entre 2001 e 2005 e membro da Comissão Política durante vários anos. Atualmente é Presidente da concelhia de Lamego do PS e membro da Comissão Política da Federação de Viseu.

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