A aposta

por Rui Coutinho | 2013.11.28 - 15:19

À semelhança do que sucede com a Rua Direita, um espaço que é e representa uma das mais seculares montras da cidade, também a agricultura se encontra num estado metamórfico na procura de abraçar novos desafios, na busca incessante de novas metas baseadas em diferentes formas de estar.

No estado em que se encontra o país, onde as falências imperam, muitas gentes reencontraram-se com uma das mais ancestrais actividades, a agricultura.

Nos dias de hoje, o peso da agricultura numa economia de subsistência é por demais notório e palpável. Os últimos dados publicados pelo INE (2013) são uma lufada de ar fresco para a actividade. Na região centro, e em comparação com os restantes sectores de actividade, indústria e comércio, a agricultura é o sector que proporciona o melhor salário. No primeiro trimestre de 2013, o seu valor líquido situava-se nos 1035€, bem acima dos 767€ praticados nas outras actividades. Para percebermos este novo e saudável retorno talvez seja oportuno meditarmos nos seguintes números para percebermos que o actual crescimento não é de agora, mas sim o resultado de uma nova estratégia que implementamos ou nos vimos obrigados a executar.

Entre 2000 e 2010 a produtividade no sector agrícola cresceu 28.2%, contribuindo para o PIB com uma taxa de 3.9%. Desde 2005, as exportações do sector cresceram 8.2% ao ano e são já responsáveis por uma cota de 10.7%. De 2011 a 2012 o sector foi responsável pela redução de 15% do défice da balança comercial no sector agro-alimentar, melhorando de forma enérgica na nossa gritante dependência. Na actual conjuntura, a agricultura é responsável pela criação de 75% do emprego nacional, a que não é estranho um aumento em 33% das novas candidaturas ao programa de jovens agricultores que perfazem até à data, um total de 6.000 novos projectos capazes de gerar 10.000 postos de trabalho. O depauperado interior do país consegue absorver mais de metade (68%) dos projectos concedidos, o que é a prova inequívoca que a agricultura e as fileiras a jusante da mesma, serão e terão de ser um dos indestrutíveis paredões de sustentação das populações, evitando a desertificação e descaracterização dos espaços.

Neste sentido o que se deseja para a Rua Direita e para a agricultura é que ambas se possam afirmar, erguer e reerguer nos actuais e mutagénicos períodos.

Boa sorte a todos.

Técnico Superior a exercer funções na Escola Superior Agraria de Viseu (ESAV) com ligações a projectos agrícolas e agro-alimentares é Bacharel em Engenharia Agro-Alimentar pela ESAV, Licenciado em Enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) Mestre em Biotecnologia e Qualidade Alimentar pela UTAD e com o Curso de Doctorado em Bromatologia e Nutrição pela Universidade de Salamanca.

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