2017… um novo ano

por Cílio Correia | 2017.02.07 - 19:29

As primeiras horas da manhã foram passadas na minha terra, num curto passeio, a descobrir a magia dos lugares, das ideias e das palavras.

Está frio, um frio enregelante. Os campos em volta estão cobertos dum bonito manto branco de geada, aqui e ali entrecortado por uma nesga de sol que já tinha derretido o gelo.

Andei pela minha aldeia, agasalhado, com as ruas praticamente vazias, mas não deixei de tropeçar nas imagens e paisagens de boa memória.

Andar pelas ruas da terra onde nasci numa sexta-feira dum solstício de Verão, pelas 20 horas, provoca sensações indescritíveis. É ali, naquele lugar, que crescemos, vivemos e nos sentimos em casa. A estrela-d’alva lá está no seu lugar, cintilante no céu azul, como se fosse uma lâmpada que alguém se tivesse esquecido de desligar. Os cheiros, os sons, as pessoas, as cores do mundo rural renovam as energias para encarar o futuro, retemperar a esperança, buscar novas vivências e desafios para o Ano Novo. Sentir o conforto da nossa casa produz este efeito.

Seria hipocrisia dizer que sou mais europeu que português. Não sou. É este o ponto. Não há transcendências nem intemporalidades que nos retirem esta sensação de pertença. A cada um a sua escolha. O sentimento de pertencer a uma comunidade é um valor em si mesmo, universal e eterno.

Isso é a vida, o ideal da dignidade humana, o valor supremo: ser fiel à terra e à natureza é ser fiel a si próprio e aos seus. Não deixei nada de fora.

Vou tomar um café.